LULA – Pronunciamento Histórico 04 de março de 2016

Companheiros com Paulo Okamoto, Clara Ant. Não precisava. Era só ter convidado. Antes dele, nós já éramos democratas. Antes deles, a gente já fazia as coisas corretas neste País. Porque enquanto muitos deles não faziam nada, a gente estava lutando para que este País conquistasse o direito de liberdade de expressão. O direito de uma imprensa livre. O direito de candidatura, de criação de partido político, o direito de greve. Então era só ter comunicado que nós iríamos lá. Lamentavelmente eles preferiram utilizar a prepotência, a arrogância. Num show e num espetáculo de pirotecnia. Porque enquanto os advogados não sabiam nada, alguns meios de comunicação já sabiam. Então é lamentável. É lamentável que uma parcela do poder judiciário brasileiro esteja trabalhando em associação com a imprensa. Antigamente você tinha a denúncia de um crime. Você ia investigar se existia aquele crime e se existia o criminoso. Hoje a primeira coisa que você faz é determinar quem é o criminoso, depois que você denominou o criminoso, colocou a cara dele na imprensa, você então vai criar os crimes que ele cometeu.

Eu queria falar ao povo brasileiro e falar a vocês via os microfones da imprensa primeiro para pedir desculpas à Marisa e meus filhos pelos transtornos que eles passaram. Enquanto nenhum destes que foram em minha casa trabalhavam, com onze anos a Marisa já era empregada doméstica. Eu acho que ela merecia respeito. Segundo, não há nenhuma explicação porque que foram atrás de meus filhos. Nenhuma explicação, a não ser o fato de eles serem meus filhos. Nenhuma. Terceiro, eu quero dizer à Clara Ant, coitada, que foram na casa dela de manhã. Sabe? Que foram na do Paulo Okamoto. Que foram no sindicato. Sabe? Quero só pedir desculpas porque hoje neste País ser amigo do Lula parece que virou uma coisa perigosa. É preciso criminalizar o PT. É preciso criminalizar o Lula porque estes caras podem querer continuar no Governo. Eu só consigo entender uma explicação pra tudo isto. Porque não há outra coisa para incomodá-los a não ser a gente ter trabalhado durante todos estes anos pra fazer com que as pessoas do andar de baixo subissem um degrau na perspectiva de chegar no andar de cima. O velho Frias, dono da Folha de São Paulo, quando era vivo, dizia assim pra mim ouvir: “Oh, Lula, você precisa parar de querer subir degrau. Os do andar de cima não vão deixar vocês chegaram no andar de cima. Não vão. A elite brasileira é muito conservadora. Ela tem complexo de vira-latas. E nós crescemos. Chegamos na presidência. E nós provamos que os pobres que eram a razão da desculpa deles por não fazerem nada neste País. Sempre que a gente perguntava. Não dar pra gente fazer porque o Brasil é muito pobre, tem muita pobreza. Nós provamos que os pobres não eram o problema, e que os pobres viraram a solução deste País. Na hora que nós fizemos os pobres terem acesso às universidades, ter acesso ao mínimo elementar para comer, ter acesso ao emprego, ter acesso a benefícios como o Programa Bolsa Família, o Programa Luz para Todos, o PRONATEC. Isso incomodou muita gente. E é preciso destruir este avanço dos debaixo.

Pois bem, eu deixei a presidência e achei que tinha cumprido com minha tarefa. Eu sinceramente achei que ao eleger a Dilma, eu tinha consagrado a minha vida. Porque eu tinha duas teses. O presidente bom é aquele que se reelege. E bibom é aquele que faz sucessor. Então eu já me considerava bibom porque tinha elegido a Dilma, e fiquei tribom porque ela foi reeleita. E eles estão desde o dia 26 de outubro de 2014 não permitindo que a Dilma governe este País. Eu vi um delegado da Polícia Federal dizer um dia desses, quando indicaram o novo ministro da Justiça, que eu nem sei quem é, o delegado dizer, sabe? “tentar mudar ministro agora é tentar mexer num sei com quem, porque nós precisamos de autonomia funcional, e autonomia administrativa.” Eu queria aproveitar todos estes microfones aqui pra eu dizer o seguinte: se tem alguém neste País que precisa chama-se Presidenta da República, porque ninguém quer que esta mulher governe este País. Estão ceceando a liberdade desta mulher em governar este País. Portanto a minha indignação é pelo fato de seis horas da manhã terem chegado na minha casa vários delegados. Aliás muito gentis. Muito gentis. Não sei se são sempre assim, mas muito gentis. Sabe? Pedindo desculpas porque estavam cumprindo uma decisão judicial e a decisão era do Juiz Moro que podia ter mandado um ofício “Oh, Luís Inácio não quer prestar um depoimento em Curitiba?” Que eu gosto de Curitiba. Eu poderia ir lá em Curitiba. Me facilitavam. O PT me pagava uma passagem pra Curitiba. Poderiam me convidar para ir a Brasília. Que eu ia. Mas eu me senti prisioneiro hoje de manhã. Prisioneiro. Eu sinceramente já passei por muitas coisas na minha vida. Eu não sou homem de guardar ressentimentos, de guardar mágoas, mas eu acho que o nosso País não pode continuar assim. O nosso País não pode continuar amedrontado. O nosso País não pode ver qualquer juiz que pune alguém porque recebeu um prêmio da Rede Globo, um prêmio da Revista Veja, um prêmio num sei de quem, e, a partir do prêmio, todo dia tem que contas. Antes dos advogados saberem que seu cliente vai ser chamado, a imprensa recebe. Eu vou dizer pra vocês uma coisa. Eu sou um homem que acredita em Instituições de Estado forte. Não sei porque mas eu acho que as Instituições fortes é a garantia do Estado Democrático contra a arrogância, a prepotência dos governantes. E vocês sabem que desde a Constituinte eu briguei para ter um Ministério Público forte. Vocês sabem que eu cheguei na presidência, a primeira coisa que eu fiz foi instituir uma coisa que eu trazia do movimento sindical. Eu vou indicar sempre o primeiro da lista indicado pela corporação. Pela minha formação corporativa de sindicalista. Tem que ser o primeiro reitor, tem que ser o primeiro procurador. Era tudo primeiro. Eu adotei isto no Brasil. E não me arrependo. Mas é importante que os procuradores saibam que uma instituição forte. Uma instituição muito forte tem que ter pessoas muito responsáveis. E o cidadão que fez alguma denúncia contra mim, ele na verdade são cúmplices. Uma obedece às orientações da Revista Época. Quando nós desmentimos a Revista Época, o procurador resolveu fazer o papel da Revista Época e pedir investigações das minhas palestras.

Que milagre vocês fizeram para aprovar as cotas colocando os negros nas universidades? Que milagre vocês fizeram pra aprovar o Prouni? Que milagre vocês fizeram para aprovar o FIES? Que milagre vocês fizeram para levar energia a 15 milhões de pobres neste País? Qual foi o milagre que vocês fizeram para o salário mínimo crescer todos estes anos? Qual foi o milagre? É isto que as pessoas queriam saber. E é por isso que eu me transformei no conferencista mais caro do mundo, junto com o Bill Clinton. Aliás ele foi meu paradigma. Ele foi. É importante dizer que eu falo com orgulho, várias empresas que agenciam vários presidentes, Kofin Anan. Sabe? Tony Brair. Braum. Sarkozi. Shirac. Todo mundo queria me empresariar. E Clara Ant falou: Não. Aqui no Instituto quem vai empresariar somos nós do Instituto. Você é um produto nacional. Eu tenho orgulho deste produto nacional. E quanto vai cobrar? Quem é que cobra mais? É o Clinton? Então vai ser igual ao Clinton. Paga quem quiser. Contrata quem quiser. E tem mais. Para contratar tem que pagar transporte. Tem que pagar assessoria. Tem que pagar porque não são pouca coisa. Eu não tenho complexo de vira-latas. Eu sei o que eu fiz neste País. Eu sei o orgulho e a auto-estima deste povo. Engraçado que as pessoas estranham que eu cobro duzentos mil dólares, não se preocuparam do Clinton vir aqui na CNI no mês passado e cobrar um milhão só da CNI. O vira-latas bate palmas. Nossa como ele fala bonito. Nem entendo o que ele fala, mas como ele fala bonito. Falou tão bonito que eu não entendi. Eu lamento. Imagina as perguntas sobre as palestras. Vocês imaginam as perguntas sobre as medidas provisórias. Um delegado de polícia que quer saber o que aconteceu com as medidas provisórias não tem que perguntar pro presidente. Ele tem que ir no Congresso Nacional e perguntar para todos os deputados e senadores que votaram favoráveis. Tem que perguntar para todos os relatores das comissões e não pro Lula, pra Dilma. Este é o último que sabe. Porque a medida provisória vai passando por Ministério até chegar pro presidente assinar. Vai pro Congresso e volta pro Presidente sancionar ou vetar. E você tem que responder estas coisas. Você tem que responder pelo acervo. Eles agora querem saber do acervo do Lula. Poderiam ter querido saber do acervo antes de me envolver nestas tranqueiras todas. Você sabe o que é alguém sair da presidência com 11 conteiners sem ter aonde por. Você sabe o que é sair com cadeira, com controle, com papel, com tudo que você possa imaginar? Porque se somar todos os presidentes da história deste País, desde Floriano Peixoto, eu fui o que mais ganhei presente. Porque viajei mais. Porque trabalhei mais. Porque viajei o mundo até trono da África. O que que eu faço com isso? É uma coisa do presidente mas é de domínio público. Eu tenho que tomar conta mas ninguém me paga. Mas então é o seguinte. O ministério público tá preocupado. Eu acho que é importante vocês oferecerem o acervo. Eles têm um prédio redondo lá de vidro fumê que pode guardar as coisas que eu tenho. Não me faz a menor importância a quantidade de relógio de ouro que eu tenho porque eu uso o meu simples aqui. Eu não vou fazer Merchendagem. Eu não quero relógio para valorizar meu pulso. Eu quero relógio para valorizar a hora. Eu quero saber se ele funciona ou não.

Então eu sinceramente fiquei indignado com este negócio de suspeição. Eu quero dizer, Rui Falcão, você que é presidente do meu partido, se a Polícia Federal, ou o Ministério Público, ou quem quer que seja encontrar um real de desvio na minha conduta eu não mereço ser deste partido. Não mereço. Mas agora eles precisam aprender que eu aprendi a andar de cabeça erguida neste País não por favor. Eu aprendi levantando três horas da manhã pra fazer manifestação em porta de fábrica. Eu aprendi fazendo comício em ponto de ônibus. Eu aprendi vendo companheiro levar borrachada na cabeça todo santo dia. E quero dizer que o que eles fizeram com este ato de hoje foi fazer com que a partir da semana que vem. A partir da semana que vem, eu quero dizer aqui à CUT, ao PT, ao Sem Terra, ao PCdoB, que a partir da semana que vem me convidem que eu estarei disposto a andar por este País pra fazer política. Porque não é possível ver este País virá vítima de uma teatro midiático em que coloca como corrupção um barco de quatro mil reais da dona Marisa. Eu se pudesse dava era um iate pra ela e não um barco de quatro mil reais. Se preocupando com pedalinho de dois mil reais que ela comprou pros netos. Se preocupando porque eu estou utilizando a chácara de um amigo. Eu uso a dos amigos, porque os inimigos não me oferecem. BEM QUE A GLOBO PODIA ME OFERECER O TRIPLEX DE PARATI. Podia me oferecer. Quem tem casa em Nova Iorque, em Paris, nunca me ofereceu. Eu ia. Sabe? Já se incomodaram em 1994 porque eu morava no apartamento do meu compadre Roberto Teixeira. Na casa dele. Já se incomodaram… quantas vezes? Quantas vezes o Estadão foi em Monte Alegre, em 1988, para saber se eu era o dono do sítio do Roberto? Ia no cartório de Monte Alegre. No cartório de Amparo. No cartório de Serra Negra. Isto é puro preconceito. Ou seja, todo mundo pode, menos esta merda deste metalúrgico. Eles partem do pressuposto que pobre nasceu pra comer em cocho. E eu aprendi que não. Eu quero comer comida boa. Vocês não imaginam hoje a preocupação com vinho? Vinhos que eu nunca comprei uma garrafa porque ganhei. E vinhos que eu não sei diferenciar um miolo gaúcho com um Romanée-Conti. Não sei diferenciar porque não faz parte do meu gosto. Eles mesmos que ficam indignados com os vinhos do meu acervo, quando vão na casa da elite brasileira ficam boquiabertos com os vinhos. Nossa que adega maravilhosa! Que vinho num sei lá das quantas! Eu gosto tanto de vinho. Eu estou tão habituado a tomar vinho que um dia um companheiro meu chamado Marcos Aurélio me deu uma coisa chamada… como é aquela coisa que bota vinho?… (faz um gesto com a mão)… decantador. Era um decanter. Eu achava maravilhoso chamar decanter. Eu cheguei em casa um dia, a dona Marisa tinha colocado flores. Rsss…. pra ver o tanto que eu gosto de decantee. Eu não sei como eles não me perguntaram do meu decanter.

Olhe eu não estou indignado com jornalistas, não. Eu estou indignado com o comportamento de determinados meios de comunicação. Eu estou indignado com o julgamento precipitado. Hoje quem condena as pessoas são as manchetes. Hoje amedrontam o poder judiciário. Hoje amedrontam o Ministério Público. Hoje amedrontam a Polícia Federal. E amedrontam os políticos. Eu tenho dito para meus queridos amigos do PT, só tem um jeito da gente levantar a cabeça. É a gente não ter medo.

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