Não é nada disto…. ou como os procuradores da república atuam politicamente

Em Dezembro último (2014), os procuradores da república ofereceram denúncia ao Ministério Público contra ALBERTO YOUSSEF,  PAULO ROBERTO COSTA e mais sete pessoas (Waldomiro, Aldemário, Agenor, Mateus, Ricardo, Fernando e João) por organização criminosa, formação de Cartel e crimes contra a licitação.

No documento apresentam contexto da investigação, ilustrados com esquemas da organização e Fluxograma dos recursos, além de tabelas.  Depois passam à individualização das condutas. Tudo descrito sob uma contextualização de cada crime.

O QUE CHAMA LOGO ATENÇÃO é que não se assemelha em nada com o espetáculo circense que eles (procuradores da república) apresentaram para a mídia. COMPLETAMENTE DIFERENTE. A impressão que tive que é que montaram uma farsa para o público. E neste caso nem se pode falar em manipulação da mídia, porque o espetáculo foi transmitido ao vivo.

SEGUNDA PARTE (Observações especiais)

No documento pode-se ler parte dos depoimentos de Paulo Roberto Costa.

Fica muito patente que ele confessou receber propinas ao lado de Alberto Youssef e José Janene. Que havia uma parte dedicada ao PP, e que ele tinha conhecimento de que ficava um parte para o PT, mas que ele não conhecia quem eram estes agentes, e não tinha contato com isto. O que ele depois repetiu para a CPI na Câmara dos Deputados, quando ele disse que “Não tinha conhecimento. Então não sabia. Apenas acreditava. Porque se ele recebia, porque o outro lá não recebia também? Mas que ele não sabia se recebia ou não recebia. E se recebia, como recebia também desconhecia.”

Já em relação a Youssef e a José Janene, isto era DIRETO. Ele recebia diretamente. E explica onde e quando, e quanto.

Paulo Roberto Costa explica que até 2008, José Janene comandava diretamente o esquema. Mas aí adoeceu e morreu.

Vale conhecer e saber que José Janene é acusado por Youssef de participarem juntos do esquema de distribuição de propina em caso de corrupção por vários anos em Furnas. A da famosa lista de Furnas.

José Janene e Alberto Youssef, segundo a imprensa e a CPi dos Correios, têm longa carreira juntos na bandidagem. E José Janene tem ligação com Aécio Neves.

Mas o que estão querendo é jogar no colo do PT e do Governos Lula/Dilma, crimes cometidos por pessoas ligadas ao pessoal de sempre do PSDB.

porque essas empresas já trabalham para Petrobras há muito tempo. E como eu mencionei anteriormente, as indicações de diretoria da Petrobras, desde que me conheço como Petrobras, sempre foram indicações políticas. Na minha área, os dois primeiros anos, 2004 e 2005, praticamente a gente não teve obra. Obras muito pe…, de pouco valor porque a gente não tinha orçamento, não tinha projeto. Quando começou a ter os projetos pra obras de realmente maior
porte, principalmente, inicialmente, na área de qualidade de derivados, qualidade da gasolina, qualidade do diesel, foi feito em praticamente todas as refinarias grandes obras para esse, com esse intuito, me foi colocado lá pelas, pelas empresas, e também pelo partido, que dessa média de 3%, o que fosse de Diretoria de Abastecimento, 1% seria repassado para o PP. E os 2% restantes
ficariam para o PT dentro da diretoria que prestava esse tipo de serviço que era a Diretoria de Serviço. […]
Juiz Federal: – Mas isso em cima de todo o contrato que…
Interrogado: -Não.
Juiz Federal: – Celebrado pela Petrobras?
Interrogado: -Não. Em cima desses contratos dessas empresas do cartel.
Juiz Federal: – Do cartel.”

.
No mesmo sentido, o interrogatório de YOUSSEF:
“Interrogado: -Sim senhor, Vossa Excelência. Mas toda empresa que… desse porte maior, ela já sabia que qualquer obra que ela fosse fazer, na área de Abastecimento da Petrobrás, ela tinha que pagar o pedágio de 1%. […]”
.

58 Cite-se, nesse sentido, o seguinte trecho do interrogatório judicial de PAULO ROBERTO COSTA na ação penal 5026212-82.2014.404.7000 (Eventos 1025 e 1101) – Anexo 13:
[…]
Juiz Federal: – Mas esses 3% então, em cima desse preço iam para distribuição para agentes públicos, é isso?
Interrogado: -Perfeito.
Interrogado: – (…). Quando começou a ter os projetos pra obras de realmente maior porte, principalmente, inicialmente, na área de qualidade de derivados, qualidade da gasolina, qualidade

Juiz Federal: – E como que esse dinheiro era distribuído? Como que se operacionalizava isso?
Interrogado: -Muito bem. O que era para direcionamento do PP, praticamente até 2008, início de 2008, quem conduzia isso, diretamente esse processo, era o deputado José Janene. Ele era o responsável por essa atividade. Em 2008 ele começou a ficar doente e tal e veio a falecer em 2010.
De 2008, a partir do momento que ele ficou, vamos dizer, com a saúde mais prejudicada, esse trabalho passou a ser executado pelo Alberto Youssef.
Juiz Federal: – E…
Interrogado: -Em relação, em relação ao PP.
Juiz Federal: – Certo. E o senhor tem conhecimento, vamos dizer, exat…, como funcionava, como esse dinheiro chegava ao senhor Alberto Youssef, os caminhos exat…, exatos que esse dinheiro tomava?
Interrogado: -O meu contato, Excelência, sempre foi a nível de Presidente e diretor das empresas, eu não tinha contato com pessoal, vamos dizer, de operação, de execução. Então, assinava o contrato, passava-se algum tempo, que, depois de assinado o contrato, a primeira medição que a PETROBRAS faz de serviço é trinta dias; executa o serviço, a PETROBRAS mede e paga trinta dias
depois. Então, normalmente, entre o prazo de execução e o prazo final de pagamento, tem um gap aí de sessenta dias. Então, normalmente, após esse, esses sessenta dias, é que era possível então executar esses pagamentos. Então, o deputado José Janene, na época, ex-deputado porque em 2008 ele já não era mais deputado, ele mantinha o contato com essas empresas, não é? Com o pessoal também não só a nível de diretoria e presidência, mas também mais pessoal operacional, e esses valores então eram repassados para ele, e depois, mais na frente, para o Alberto Youssef. Agora, dentro das empresas tinha o pessoal que operacionalizava isso. Esse pessoal eu não tinha contato. Não fazia contato, não tinha conhecimento desse pessoal. Então o que é que acontecia? É, vamos dizer, ou o Alberto ou o Janene faziam esse contato, e esse dinheiro então ia para essa distribuição política, através deles, agora…
(…).
Juiz Federal: – Certo, mas a pergunta que eu fiz especificamente é se os diretores, por exemplo, o senhor recebia parte desses valores?

Interrogado: -Sim. Então o que, normalmente, em valores médios, acontecia? Do 1%, que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais, um pouco menos, 60% ia para o partido… 20% era para despesas, às vezes nota fiscal, despesa para envio, etc, etc. São todos valores médios, pode ter alteração nesses valores. E 20% restante era repassado 70% pra mim e 30% para o Janene ou o Alberto Youssef.
Juiz Federal: – E como é que o senhor recebia sua parcela?
Interrogado: -Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou num shopping ou no
escritório, depois que eu abri a companhia minha lá de consultoria.
Juiz Federal: – Como que o senhor, quem entregava esses valores para o senhor?
Interrogado: – Normalmente o Alberto Youssef ou o Janene.
[…]

……

O link para o documento…

http://www.migalhas.com.br/arquivos/2014/12/art20141212-04.pdf

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