E valeu boi… valeu?

21 de dezembro vaquejada floriano

Segundo Francisco Janio F Ayres, em sua dissertação de mestrado (aqui), no Nordeste, as vaquejadas são eventos nos quais os patrões e os vaqueiros são estimulados a vivenciar tanto uma impessoalidade no que diz respeito à concepção do evento como um negócio em que se investe para obter dinheiro e fama, quanto uma personalidade produzida nas relações sociais ali estabelecidas.

Mas, relações honestas devem pautar estas construções sociais. Infelizmente, nos últimos tempos temos descortinados diversas situações que são vexatórias para o Poder Judiciário no Brasil. Vejamos o que ocorre no campo das vaquejadas no Piauí.

Em Floriano, “não existe uma vaquejada que teria lucro de R$ 6.000 milhões”, com estas palavras, Danilo Sá Nogueira, assessor jurídico da Eletrobrás do Piauí, expressa sua indignação com decisão de magistrados e funcionários do Poder Judiciário que garantiram  indenização no valor de R$ 6,143 milhões para o empresário Carlos Augusto Bucar de Arruda.

Segundo matéria publicada no NOVO JORNAL (aqui), em uma vaquejada grande de dois dias, como a de Macaíba (RN), circulam R$ 500 mil. As premiações, por exemplo, somam R$ 220 mil, nas categorias profissional e amador (aqui). Já em Floriano (PI), para a IV Grande Vaquejada, a premiação equivalente será de R$ 25 mil mais uma moto (!) (aqui). Considerando as devidas proporções, e ainda considerando o público de 15 mil pessoas que vai a vaquejada em Macaíba, enquanto a de Floriano atraiu “milhares de pessoas”! (mas quantas?)

Vejamos, a título de exemplo, a vaquejada de Picos, um município também piauiense, porém bem maior do que Floriano. Na verdade, o maior entroncamento rodoviário do Nordeste. Em Picos houve uma vaquejada considerada um evento muito caro, e custou R$ 240 mil aproximadamente (aqui).

A SEGUIR MATÉRIA SOBRE ESTA QUESTÃO

Eletrobras recorre ao CNJ para investigar indenização milionária a empresário

Caso foi denunciado em reportagem do jornal O DIA

A direção nacional da Eletrobras decidiu levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o pagamento de indenização milionária a um empresário do Piauí. O caso foi denunciado na edição de quinta-feira, dia 20, de O DIA. A empresa avalia que os saques de mais de R$ 6,1 milhões comprometerão os investimentos no Estado.

Somente hoje, R$ 2,7 milhões foram bloqueados e sacados das contas da empresa em benefício de Carlos Augusto Bucar de Arruda e seu advogado, Ricardo Ilton Correia. Bucar é o autor da ação contra a Eletrobras-PI. O empresário cobra na Justiça prejuízos causados pela falta de energia durante uma vaquejada organizada por ele no município de Floriano, sul do Piauí.

Em 2009, a Eletrobras pagou R$ 183 mil a título de indenização e danos morais ao empresário. Não satisfeitos, os advogados de Carlos Bucar reclamaram o lucro cessante que seu cliente deixou de angariar com o cancelamento do evento. O prejuízo estimado pela parte foi de R$ 4 milhões. A empresa pública contestou e a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Piauí refez o cálculo, estipulando em R$ 1,3 milhão, já sacado por ordem judicial.

Ao todo, o judiciário piauiense determinou quatro bloqueios e sequestros de verbas da empresa. O primeiro saque aconteceu no ano de 2009 e o último ontem. A empresa considera “muito difícil” reaver o dinheiro.

Para Danilo Sá Urtiga, assessor jurídico da Eletrobras-PI, os cálculos das indenizações estão equivocados. Parece absurdo, na avaliação do advogado, uma vaquejada gerar ganhos tão elevados. É essa a reclamação que será levada até o CNJ. “Entendemos que os cálculos estão majorados de forma indevida. A Eletrobras está na fase de estudo do processo para verificar onde houve o procedimento inadequado”, explica.

A diretoria da empresa ainda avalia a área que será prejudicada pela retirada de recursos. Há duas possibilidades: a fiscal ou de investimentos. Maior contribuinte do Piauí, a Eletrobras paga, por mês, R$ 25 milhões em Imposto de Circulação Sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) ao Governo estadual. O compromisso financeiro poderá não ser integralmente honrado com o desfalque.

Entretanto, a maior possibilidade é que os cortes sejam efetivados na segunda área. “Se isso acontecer, serão afetadas obras que benficiam diretamente a população”, alerta Sá Urtiga. Como exemplo, o assessor jurídico citou as obras do programa Luz Para Todos e ações de melhoria e expansão da rede de abastecimento elétrico do Piauí.

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Uma resposta para “E valeu boi… valeu?

  1. Realmente é um absurdo, que vaquejada é essa aqui em Floriano que lucrou 6 milhões de reais em 2002? Se em 2012 essa vaquejada não paga nem 50 mil reais em prêmios? Isso é dinheiro público!! Esse levantamento de dinheiro da Eletrobras deve ser investigado mesmo!!

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