Terras secas: fome, saques e mudanças

EM 1998, sob o Governo de Fernando Henrique Cardoso, já no final do seu primeiro mandato, o Nordeste passou por um período de seca. Daquele período vêm tenebrosas memórias de dor, fome, desespero, indignação.

A revista Veja (para não dizer que estamos citando blogs sujos), em matéria intitulada O FANTASMA DA FOME, descreve: “Desamparados pelos governos e à mercê da chuva que não vem, centenas de milhares de brasileiros vivem sob a ameaça de não ter o que comer no dia seguinte.

E continua: “A situação na área seca do Nordeste é tenebrosa. A fome está apenas começando em alguns municípios mais castigados. Mas deve piorar. Não há sinal de chuva, nem previsão de que venha. E a assistência emergencial, montada pelas autoridades, especialmente as de Brasília, só começou a ser planejada quando o problema ficou sério e chegou ao noticiário.

A situação da proteção alimentar foi descrita assim: “A família resolveu comer a palma, um cacto repleto de espinhos que serve normalmente para alimentar o gado. Sua mulher, Maria do Carmo da Silva, 47 anos, dá a receita. “Raspei os espinhos, passei em seis águas para tirar a baba verde da planta e cozinhei com sal. Depois, dei para a família provar. Todo mundo fez cara feia, mas, pelo menos, ficou de barriga cheia.” A palma ingerida parece inchar no estômago. Faz peso. Ajuda. Os cinco filhos da casal agüentam o gosto ruim, mas Severino não consegue engolir.

A rotina alimentar chegou a : “Na Paraíba, o governo estima que 150.000 pessoas estejam fazendo apenas uma refeição por dia e 30.000 comam uma única vez dia sim, dia não. Em Alagoas, a situação é mais crítica. No alto sertão do Estado, 20.000 pessoas alimentam-se apenas duas vezes por semana. No Piauí, calcula-se que 124.000 camponeses só comem se alguém lhes der alimento.

Como não podia ser diferente, PIG é PIG. E dá a palavra para o pres. FHC colocar a culpa dos saques no MST (e até na CNBB).

“O presidente tem razão. Quando bispos da CNBB e líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra justificam publicamente os saques a supermercados, como fizeram na semana passada, isso pode incitar as pessoas a promover badernas. Mesmo as que não estão passando fome costumam engrossar esses saques quando há lideranças que as conduzam. O saque, além do mais, pode perturbar a organização da assistência social quando uma pessoa participa dele apenas para melhor garantir seu estoque doméstico.”

Embora a sensibilidade dos autores da matéria, não o impedirem de acrescentar: “Mas é o saque, em muitos casos, que ajuda alguns a atravessar alguns dias.”

Passados 14 anos, uma nova seca abala o Nordeste. E desta vez ainda mais forte do que no período de 1998, na verdade a pior seca dos últimos 50 anos. E…

Bem, o nordestino continua sofrendo, pois falta muito a se realizar em termos de transformação na Região. Porém, apesar de o II Grito do Semiárido em Picos Piauí exigir ações estruturantes, não vemos o quadro presente em 1998. E, isso se deve em parte, muito grande parte,

às políticas de proteção alimentar do governo federal desde Lula e continuados por Dilma. E, deve-se ainda, às obras como o Minha Casa, Minha Vida, que emprega milhares de pessoas por todo o Nordeste.

O Nordestino não morre mais em massa, quando ocorre a seca.

O Nordestino não foge mais em massa, quando ocorre a seca.

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