Arquivo do mês: outubro 2012

Mais notícias dos Guarani Kaiowá, por Pedro Rios Leão

Gente, é muito difícil articular as informações, fazer a pesquisa, batalhar contra os despejos. Eu não sou perfeito, falo o que eu estou assistindo e posso errar. Não tenho pretensão de carregar “a verdade”. Só trago uma perspectiva desprovida de interesses políticos ou financeiros. Em uma situação onde os interesses tem sido sempre mais fortes que a humanidade.

Não me transformem em porta-voz da verdade, por favor.
Eu sou só um militante.
A verdade é que não existe um trabalho “jornalístico” a ser feito em MS. Os fatos são evidentes e acontecem há muito tempo. A “novidade” é a resistência. O trabalho que deve ser feito é político e social. E o aspecto mais grave desse trabalho é a quebra do preconceito. A minha função aqui, agora mais clara para mim, não é “dar informação em primeira mão”.
O material mais forte, mais relevante, não é o que relata perigo imediato ao qual os índios estão submetido(que é a rotina de um massacre histórico), mas é o que relata a ignorância histórica e o tratamento criminoso que nós, brasileiros, damos aos indígenas. Esse tabu, como menino do Rio de Janeiro, é que eu posso ajudar a destruir.

O problema dos índios não é a falta de inserção. A coisa é tão grave que eles estariam muito melhor se estivessem simplesmente apartados da sociedade, mas a inserção marginal, opressora, criminalizante que a nossa sociedade promove, com a tutela política deles sob a mão pesada de um estado fascista.

Talvez não seja a demanda mais urgente, do ponto de vista físico, mas sem dúvida alguma a demanda primordial do índios é por respeito, por apreço, por um tratamento humano e igualitário. É um racismo muito violento e doloroso, ao qual eles estão submetidos a partir da formação das cidades no seu entorno, roubando a fartura da vida natural por um lado e negando direitos básicos de construção da cidadania inserida. O índio, tratado como mão de obra barata, subempregado, como escravo, alienado do poder de luta pela tutela do estado, e inserido na sociedade rural latifundiária, como bicho a ser explorado.

As crianças indígenas brincam de “polícia e índio”. E a sensibilidade e espanto deles quando algum branco simplesmente os toma por iguais é de uma clareza comovente e assombrosa. As crianças índigenas se perguntam o que os “caraí” pensam deles, e não conseguem entender porque são tratados de forma tão violenta.

Acreditem, a despeito da imagem enganosa de que são meia dúzia de gatos-pingados espalhados em uma área enorme, são muitos, seres humanos sem nenhuma identificação com uma cultura de consumo de massas, pacatos, cada vez mais confinados, marginalizados, e explorados pelo avanço de uma cultura destruidora.

Que os trata pior que bicho, e destrói uma fonte de riqueza gigantesca que deveria formar parte relevante da nossa própria identidade.
Eu, que não me considero um cara alienado, estou chocado com o que eu presenciei do ponto de vista humano. O nazismo está aqui, e os índios são as vitimas do nosso holocausto particular.
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Joaquim Barbosa, sua dor e seu plasma

Em agosto de 2010, a revista VEJA, em um movimento de pressão para que a ação penal 470 fosse colocada na pauta do STF, publicou matéria questionando a veracidade dos problemas de saúde do ministro Joaquim Barbosa. O questionamento se baseava no fato de o ministro apesar de afastado por problemas de saúde, fora fotografado em atividades sociais – em bares com amigos. O ministro teve que esclarecer sua situação através de nota oficial para a imprensa.

Já em agosto/2012, diante do que todos testemunhamos no julgamento da AP 470, a mídia mudou totalmente o discurso. O portal TERRA expressou:

“Pode parecer exagero, mas, ainda assim, corro o risco de afirmar: A atuação do ministro Joaquim Barbosa – marcada pela dor física implacável que o persegue há anos e a vontade inabalável de não perder o rumo em seus deveres de magistrado – tem sido até aqui  a marca principal do polêmico julgamento. Merecedora de apreciação de Jorge Luis Borges, se vivo estivesse o notável escritor argentino.”

A própria VEJA, para destratar o ministro Lewandowisk, também mudou o discurso, podendo-se ler no dia 24 de outubro/2012 o seguinte:

“Joaquim Barbosa tem, reconhecidamente, um problema de saúde que provoca dores muito acima do suportável.”

Mas, intrigas a parte, o ministro Joaquim Barbosa sofre de problemas na coluna com dores insuportáveis. O problema o acompanha há mais de cinco anos, e gera dores no quadril e na região lombar. Em meados de 2010 fez tratamento que reduziu as dores. Mas parece que elas voltaram. O ministro passou por terapia com agulhamento a seco, além de outras abordagens fisioterapêuticas e tratamento medicamentoso. O dossiê médico aponta lombalgia e artrite, e o tratamento da dor é o alvo do agulhamento a seco e do uso de analgésicos.

Diante da agonia da dor, o ministro foi aconselhado até mesmo a procurar o médium  João de Deus Barbosa para uma cirurgia espiritual. O ministro, no entanto, resolveu agora em novembro de 2012, viajar à Alemanha em busca de um tratamento experimental, no centro de medicina integrada Boewing-Molsberger, em Dusseldorf.

No entanto, é necessário dizer que lombalgias têm causas e classificações diversas. Eu não sei qual é o tipo nem causa da lombalgia no ministro Joaquim Barbosa. Talvez, o fato de ele procurar o tratamento em Dusseldorf indique que tenha relação com degeneração dos discos intervertebrais. Digo isto porque a injeção de fatores de crescimento tem sido alvo de diversos estudos científicos em animais laboratoriais, com resultados satisfatórios.

O problema da degeneração dos discos intervertebrais está no desequilíbrio de sua homeostase. A homeostase dos discos intervertebrais é regulado biologicamente pela manutenção ativa do balanço entre estado anabólico e catabólico das células do tecido. O objetivo da abordagem terapêutica é reduzir o estado catabólico provocado por respostas inflamatórias. Por isso se utiliza fatores de crescimento e citocinas anti-inflamatórias.

O plasma rico em plaquetas (PRP) é uma fração do plasma sanguíneo que pode ser obtido por centrifugação do sangue, na sala cirúrgica. O PRP contém múltiplos fatores de crescimento concentrados em alto nível. O PRP estimula a proliferação celular e a síntese de proteoglicanos e colágenos (proteínas) no tecido alvo. Pode atuar sobre células no disco intervertebral estimulando a proliferação e diferenciação, com reparo do disco.

No alívio da dor, a injeção de PRP apresentou eficácia em modelo animal. No entanto, os resultados podem depender das condições do tecido alvo (no caso, disco intervertebral). No caso de pessoas mais velhas, o número de células no disco intervertebral está diminuída. E o estabelecimento de degeneração do núcleo pulposo do disco intervertebral diminui ainda mais a quantidade de células alvo, que poderiam responder ao tratamento. Sem células funcionais, uma injeção de fatores de crescimento não alcançará os efeitos terapêuticos desejados.

Os resultados em laboratório foram, no entanto, satisfatório.

O blog deseja que caso se submeta a esta terapêutica, o ministro Joaquim Barbosa encontre alívio à suas dores.

 

http://xa.yimg.com/kq/groups/22886220/2038894325/name/JOAQUIM+BARBOSA+-+REPORTAGEM+DE+VEJA.pdf

http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/notaJB.pdf

http://terramagazine.terra.com.br/blogdovitorhugosoares/blog/2012/08/20/firmeza-juridica-e-dor-destacam-ministro-joaquim-barbosa-no-julgamento-dos-reus-do-mensalao/

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI162006-15223,00-JOAQUIM+BARBOSA+ME+SUBMETO+A+QUALQUER+PERICIA+DE+JUNTA+MEDICA.html

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302010000500022

 

Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa – CDH (SENADO)

SUPLENTES

Angela Portela (PT) – Eduardo Suplicy (PT) – Humberto Costa (PT) – Anibal Diniz (PT) – João Durval (PDT)

Roberto Requião (PMDB) – Ricardo Ferraço (PMDB)

Cássio Cunha Lima (PSDB) – Cyro Miranda (PSDB) – Wilder Morais (DEM)

Gim Argello (PTB) – João Costa (PPL)

Randolfe Rodrigues (Psol)

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) vai realizar na próxima quinta-feira (1º) uma audiência pública para debater situação dos índios Guarani-Kaiowá, ameaçados de expulsão de suas terras tradicionais no Mato Grosso do Sul. O requerimento para o debate foi aprovado na manhã desta segunda-feira (29), quando a comissão esteve reunida para tratar de projetos de acessibilidade desenvolvidos pelo Ministério das Cidades.

A área habitada por 170 integrantes da etnia Guarani-Kaiowáé disputada há décadas por índios e fazendeiros. Em setembro, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou a reintegração de posse, com a retirada das famílias indígenas do local, mas elas se recusam a deixar a região.

Também nesta segunda-feira, a CDH aprovou a realização de outras audiências. Na pauta, estão questões relacionadas à precarização dos direitos dos trabalhadores, o papel das TVs comunitárias, a proteção da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)  e a situação do Fundo de Previdência dos Portuários (Portus).

Notícias de Passo Pirajú, por Pedro Rios Leão

LEIA TAMBÉM A NOTA OFICIAL DA SECRETARIA GERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (AQUI)

Pedro Rios Leão esteve em Pinheirinho, São José dos Campos, e depois protestou acorrentado em frente à Rede Globo. Há um mês iniciou uma viagem de bicicleta pelo país, saindo do Rio de Janeiro, passando pelo Espírito Santo, e chegando à Bahia. Foi quando a viagem de Pedro o colocou frente a frente com a questão o povo Guarani Kaiowá. Voltou ao Rio de Janeiro e se preparou para ir ao Mato Grosso do Sul. Local onde se encontra agora.Pedro Rios Leao

“Opa, desculpa sumida. Estou imerso há 3 dias na aldeia de Passo Piraju, sou o único branco no lugar e não consegui acessar a internet, estou tentando conseguir uma antena para estender meu contato até lá.

O clima é muito tenso, o despejo foi decretado.

Sexta feira, enquanto o latifundiário Gino Ferreira, ex-vereador, cobrava o despejo, uma índia em pielyto kwe foi espancada e violentada enquanto transitava para fora da aldeia.

Ela estava em um carro com outros índigenas e foi a única que não conseguiu escapar. A caminhonete que interceptou o carro pertence ao Zé Roberto, prefeito da cidade de Iguatemi.
O deputado Fernando Gabeira esteve em Dourados e queria visitar Passo Piraju e Pielyto Kwe, foi impedido pela própria FUNAI que também impediu que as lideranças indígenas chegassem perto do deputado.

O clima é de bárbarie total e a minha presença incomoda e muito os fazendeiros.”

“Consegui analisar alguns documentos, entendo a urgência que muitos que me acompanham esperam mas a informação necessária é simples: está acontecendo um massacre, e nem a demarcação resolve, porque os fazendeiros não cumprem, matam, estupram, roubam, aterrorizam, e não são punidos, e a própria FUNAI tenta encobrir os absurdos.

O governo federal tem que mandar proteção urgente para os índios e mesmo  a minha vida corre risco enquanto eu estiver aqui registrando.

É preciso que continue a se forçar uma atitude do governo federal, que na era Lula deixou matar bem mais lideranças indigenas do que no governo do nefasto FHC. (podem pesquisar, eu juro que não é implicância minha)
Assim como na reforma agrária foi mais latifundiário que os Tucanos.
Esse é o preço da parceria com Sarneys e Barbalhos.
Eu peço, para a própria base petista, para que tome uma providência. Que peça ação urgente por dentro do partido.”
“Ah, e os pistoleiros não são meros capangas de fazendeiros, são empresas de segurança privada barbarizando com a constituição e assassinando os índios a sangue frio com as bençãos da polícia civil, muitas vezes com livre acesso a todos os terrenos por usar viaturas da polícia civil.
Empresas como SEPRIVA e GASP.
Eu estou trabalhando muito junto a aldeia e não tenho mais como articular com o pessoal de fora, mas por favor, não deixem de trabalhar. Está muito muito obscura a situação no mato grosso do sul.
A FORÇA NACIONAL TEM QUE REMOVER OS FAZENDEIROS DO TERRITÓRIO INDÍGENA.”
“Esse é o telefone da Promoção e defesa de direitos humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
Peçam para o FROUXO do Paulo Maldos tomar uma providência e mandar a força nacional proteger as aldeias.
Gaste 5 minutos do seu dia com isso (61) 2025 9617.”
A recente decisão da Justiça Federal em Naviraí (MS) favorável à reintegração de posse pedida pelo proprietário da fazenda onde vivem os Guarani Kaiowá suscitou uma grande mobilização entre organizações indigenistas e cidadãos nas redes sociais. Milhares de pessoas estão alterando seus nomes de perfis nas redes para fazer menção aos Guarani Kaiowá, num esforço de ajuda e proteção à causa daquele povo.

Ao mesmo tempo, interpretações equivocadas, principalmente sobre uma suposta intenção de suicídio coletivo por parte dos indígenas não contribuem para a solução do conflito e desrespeitam os próprios indígenas.

Visando esclarecer a situação atual do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, apresentamos a seguir algumas questões relevantes:

1. A grande repercussão que teve a questão dos Guarani  Kaiowá nas últimas duas semanas deve-se a uma carta da comunidade de Puelito Kue, em que os índios reafirmam que não irão sair do território que retomaram e ocuparam há algum tempo, na área de reserva legal de uma fazenda. Essa carta foi motivada pela decisão liminar da Justiça Federal em Naviraí, determinando a retirada dos índios da fazenda. Em nenhum momento a comunidade falou em suicídio coletivo, tratou-se de um erro de interpretação dos apoiadores da causa indígena.

2. A área retomada pela comunidade está em estudo por um Grupo de Trabalho instituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que atualmente está em fase de conclusão do relatório antropológico.

3. A área de Puelito Kue é uma das prioritárias no plano emergencial de segurança implantado pelo governo federal na região, que conta com 28 agentes da Força Nacional fazendo rondas periódicas nos acampamentos e áreas retomadas. Após a divulgação da carta, a Secretaria-Geral solicitou à Força Nacional a intensificação desse acompanhamento junto à comunidade indígena.

4. A Procuradoria Federal da Funai e o Ministério Público Federal entraram com ação na 3ª Turma do TRF solicitando a suspensão da reintegração, ação que ainda não foi julgada. Até o julgamento, a reintegração não tem data para ocorrer e nem a Funai nem a Polícia Federal foram intimadas a apoiar a reintegração.

5. Após a carta, funcionários da Funai estiveram na comunidade e constataram que está tudo dentro da normalidade, sem ameaças quanto a algum ato extremado da comunidade.

6. A questão dos Guarani  Kaiowá é prioritária para o governo federal que vem apoiando as comunidades através de ações de segurança alimentar, saúde,  segurança pública e reconhecimento territorial através de seis Grupos de Trabalho que estão em campo. 

Luan Santana: Não quero prosseguir como cúmplice silencioso desta violência

Talvez nenhum outro músico brasileiro tenha uma agenda de shows tão ocupada quanto Luan Santana. Após turnê de sucesso em Angola e prestes a embarcar rumo a uma série de apresentações pelos Estados Unidos e Portugal, a curta estadia do Gurizinho em solo tupiniquim está sendo marcada por numerosos assédios de produtores interessados em tê-lo como atração principal nesta temporada de festivais de fim de ano. Porém, Luan demonstrou que não está disponível a todos que querem e podem pagar por tal privilégio, já que recusou generosos cachês oferecidos para cantar em eventos de seu estado, o Mato Grosso do Sul. Problemas de saúde? Agenda cheia? Máscara? Quem procura as motivos usuais da maioria dos artistas para explicar a recusa de Luan em fazer shows na sua terra natal irá se surpreender com a realidade.

Segundo a assessoria do cantor, nesta semana, Luan Santana teria tomado conhecimento da situação dos indígenas da etnia Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul e o boicote a shows no estado foi uma forma de protesto encontrada por ele. Em nota aos fãs, Luan se pronunciou: “Nos últimos oito anos, 250 índios Guarani Kaiowás foram assassinados no estado. No mesmo período, ocorreram contra eles 190 tentativas de assassinato, 49 atropelamentos e 176 suicídios. Ao menos um indígena se suicida por semana! Acho que o Mato Grosso do Sul não tem o que festejar, mas cobrar uma dívida de justiça com esses indíos. Peço desculpas a meus fãs, ao meu povo sul-mato-grossense, por recusar esses shows, o que sempre foi uma razão de alegria para mim. Porém, hoje, me sinto envergonhado por ignorar a situação dos Guarani Kaiowá e não quero prosseguir como um cúmplice silencioso desta violência. Como último pedido, gostaria de ver menos o meu nome nos trend topics do Twitter e em seu lugar a divulgação deste genocídio que, calados, todos ajudamos a promover. #GenocidioGuaraniKaiowa”

Assine a petição online.

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Errou na dose!

Um juiz de merda

 

 

Marco Aurélio Mello condenou a Geiza, que TODOS absolveram, só para fazer o número 13.

Padrinho revela um Celso de Mello político e midiático

 

Responsável ontem pela comparação entre  o PT e duas organizações criminosas que roubam e matam (o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital), o ministro Celso de Mello, “decano” do Supremo Tribunal Federal, é saudado há vários anos pelos meios de comunicação como uma espécie de herói por sua defesa constante da liberdade de expressão.

Essa conexão com os meios de comunicação foi apontada em 2007 pelo ex-ministro da Justiça, Saulo Ramos, que foi um dos articuladores de sua ida para o Supremo Tribunal Federal. Naquele ano, Saulo publicou o romance “Código da Vida”, com pitadas autobiográficas, em que falou sobre o ex-pupilo Celso de Mello.

Segundo Saulo, o ministro deu um voto contra José Sarney, que o nomeou, por pressão da Folha da S. Paulo, que questionava sua independência – assim como muitos jornais fazem hoje em relação a Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. E essa revelação teria sido feita pelo próprio Mello a Saulo numa conversa telefônica reproduzida no livro.

Além de confessar a pressão da Folha, Mello teria dito ainda a Saulo que votou contra Sarney apenas porque a votação já estava decidida em favor do ex-presidente, que pôde mudar seu domicílio eleitoral para o Amapá, onde se elegeu senador. Ou seja: se fosse necessário, ele votaria de outra maneira.

A ligação terminou com o rompimento definitivo entre ambos. “Você é um juiz de merda”, disparou Saulo.

Confira trecho do livro:
“…a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

E continua:

Veio o dia do julgamento do mérito. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura Sarney.

Deus do céu! O que deu no Garoto? Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação ( o assunto do telefonema para o “padrinho” ) com a hipótese de Marco Aurélio de Mello ( primo do Collor ) ser o relator.

Continuando a narrativa:

Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

– Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto…votei contra para desmentir a Folha de São Paulo ( que na véspera noticiou o voto certo em favor de Sarney )…

O Presidente já estava vitorioso e não precisava mais do meu…Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente…

O Senhor entendeu?

– Entendi.

ENTENDI QUE VOCÊ É UM JUIZ DE MERDA!

Bati o telefone e nunca mais falei com ele.

Muitos advogados sabiam que Celso de Mello havia sido meu secretário na Consultoria da República e nomeado Ministro do Supremo por empenho meu. (fls. 169 /176 do livro Código da Vida)”.