Quilombo do Rio dos Macacos tem novo impasse

Mariana Mendes / Raul Spinassé

Quilombo do Rio dos Macacos vive mais um dia de impasse pela terra com a Marinha
Quilombo do Rio dos Macacos vive mais um dia de impasse pela terra com a Marinha

Mais um episódio do impasse pelo direito da terra entre moradores do Quilombo do Rio dos Macacos, localizado em Salvador, próximo à Base Naval de Aratu, e o comando da Marinha do Brasil foi registrado nesta segunda-feira (28). Segundo a representante da Associação dos Quilombolas, Rosimeire dos Santos, um grupo armado do Corpo de Fuzileiros Navais foi à comunidade impedir a reconstrução da casa de um dos moradores.

De acordo com o Capitão de Corveta, Emerson Prado, os oficiais receberam ordem de cercar a construção do imóvel e impedir sua retomada até que haja um posicionamento da Justiça. Inconformados, os quilombolas tentaram invadir o imóvel para afastar os oficiais do local. Na confusão, uma parede desabou, deixando algumas pessoas feridas.

A representante da associação relatou que a casa que a Marinha quer demolir pertence a um morador antigo da comunidade, José de Araújo dos Santos. Ela e outros moradores relataram que a casa de José desabou por conta da chuva há cerca de quatro meses e só agora ele teve condições financeiras de levantar as primeiras paredes. “Ele estava morando na casa de um vizinho. Agora que alguns amigos ajudaram é que ele teve como começar a reconstruir”, relatou.

Por volta das 20h, após a presença do secretário da Promoção da Igualdade do Estado da Bahia (Sepromi), Elias Sampaio, e das Defensorias Públicas da União e do Estado, um acordo garantiu a retirada dos fuzileiros da comunidade. Os moradores se comprometeram em interromper a construção do imóvel por 48 horas, na tentativa de que medidas judiciais tragam providências à situação.

O defensor federal João Paulo Lordelo, que acompanha o caso, declarou que as entidades envolvidas estarão reunidas nesta terça-feira (29), para dar uma solução ao caso. Além disso, o defensor garantiu que as denúncias de desrespeito aos direitos humanos são graves e serão investigadas. “A Marinha não pode exercer um poder de posse de uma terra que ainda está em decisão na Justiça. Ela também não pode fazer justiça com as próprias mãos. Tudo será investigado”, declarou.

Há mais de três anos, o Quilombo do Rio dos Macacos vive esse impasse pela terra com a Marinha. A reintegração de posse das terras do Quilombo do Rio dos Macacos, na Baía de Aratu, era para ter acontecido em 4 de março, mas foi adiada. A reportagem de A TARDE percorreu cerca de 2 km por terra e esteve muito perto do Quilombo do Rio dos Macacos, mas, faltando cerca de 500 metros, a equipe foi impedida pelo 2º Distrito Naval da Marinha de se aproximar da área.

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