Duvanier, Marcelo Dino e outros milhões de brasileiros expostos aos riscos em hospitais privados (parte I)

Pesquisa realizada pela UEFS e UFBA, em 2002, já apontava sobrecarga de trabalho entre os médicos de Salvador (Bahia), especialmente nas atividades de plantão, e excesso de inserção de trabalho. Apontou o crescimento do trabalho informal, por procedimento, este relacionado à subcontratação, terceirização e precarização do trabalho do médico, especialmente no setor privado. E estes resultados são semelhantes aos encontrados em outros entes da federação, como o Distrito Federal e São Paulo.

Em alguns setores, a demanda por atendimento é tão alta que profissionais não suportam e chegam a pedir demissão, como ocorreu recentemente (novembro de 2011) na Santa Casa de Campo Grande (MS).

Os médicos enfrentam fatores de estresse no ambiente hospitalar, entre os quais se destacam as complicações graves do estado do doente, as complicações durante a prescrição do medicamento, o excesso de trabalho existente nas urgências, os dias de plantão e em especial os plantões em fim de semana. Os médicos sofrem estresse laboral quando o tratamento não resulta em cura ou melhoria do paciente. E a resposta a esses estressores é o desenvolvimento de ansiedade ou depressão, desenvolvimento de sintomas orgânicos, aumento de ingestão de bebidas alcóolicas. Comum também é a manifestação de fadiga, inquietação ou excitação, afetando o sono e causar dificuldade de concentração.

Após alguns anos expostos a estas condições, as alterações sofridas pelos profissionais, frequentemente, permanecem mesmo que interrompam suas atividades extenuantes. Atualmente, compreende-se que Burnout é uma síndrome em resposta ao estresse laboral crônico. A síndrome Burnout é tipicamente manifesta por meio de sintomas psicológicos estreitamente relacionados com o trabalho, e envolve alterações relacionadas a exaustão emocional, despersonalização, e sentimentos de incompetência  e percepção de desempenho insatisfatório no trabalho. A despersonalização, definido como uma atitude fria e distante em relação ao trabalho e às pessoas nele presente, é mais forte e presente entre os médicos que entre outros profissionais da saúde.

Aproximadamente, 40% dos médicos brasileiros trabalham mais do que 40 horas por semana, que é o padrão dos regidos pela CLT. E ainda 20% dos médicos trabalham mais 60 horas semanais.

“Nós médicos somos tão vítimas do sistema quanto o paciente.” é o que afirma o médico gastroenterologista Américo de Oliveira Silvério que tem quatro empregos e trabalha 12 horas por dia.

Por outro lado, ao menos para alguns dos serviços prestados à sociedade, há uma percepção de que os médicos recebem salários altíssimos, especialmente nas UTIs. O que não corresponde à verdade, pois os salários mais elevados são fruto na verdade de uma maratona de trabalho em vários hospitais e clínicas.

A sobrecarga de trabalho e os distúrbios orgânicos resultantes diminui sobremaneira a capacidade de o médico realizar suas funções com eficácia e segurança. O resultado é que temos médicos prestando serviços essenciais, mas, devido aos problemas crônicos do sistema, colocando em risco a saúde e mesmo a vida de seus pacientes.

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