Pannunzio doido pra fritar Protógenes

O jornalista Pannunzio fez uma postagem em seu blog questionando a prisão de Law Kin Chong, a quem chama de empresário. A prisão ele chama de “velha farsa”.

Pannunzio descreve o vídeo manipulado pelos advogados do chinês da seguinte forma: ” Mas o que se vê é um afoito Medeiros regateando o valor e as condições do pagamento do suborno de R$ 1,5 milhão. Pelo que se pode depreender da cena,  é o deputado quem pede dinheiro ao contrabandista, e não o contrário.

Pannunzio, na ânsia de detonar Protógenes Queiroz, neste período mesmo em que todo o PIG tem o mesmo objetivo, conclui:

“Faltava ainda discutir o papel que coube ao delegado. Até hoje não está claro por que Protógenes Queiroz preferiu transformar uma vítima de extorsão em corruptor ativo sem molestar o verdadeiro criminoso — o deputado que o extorquia.”

Se não fosse a pressa em postar poderia ter feito uma busca no Google, ou ter o hábito de colecionar a CAROS AMIGOS e então conheceria a história.

PALMÉRIO DÓRIA – E o caso do Law Kim Chong?

O chinês era poderoso e tinha ligações na Polícia Federal, provavelmente algo ligado a financiamento de campanha, ligações na sociedade paulista. Um mafioso você vai pegar naquela situação mais simples. A complexa é onde ele está preparado. Qual seria a espinha dorsal dele? Contrabando e pirataria, talvez atividades municipais. Aqui, vou bater nele e voltar. Passo cinco anos investigando e busquei a via mais frágil, a corrupção.

MYLTON SEVERIANO
– E como se deu?

Estamos com a CPI da Pirataria, o presidente é o deputado Luiz Antônio Medeiros, e me procura, “o Law quer me pagar 2 milhões de dólares pra deixá-lo fora da CPI”. Passei ao plano de pegá-lo naquilo que ele seria frágil, pagamento de propina. O deputado passa a fazer uma ação controlada (é acompanhada pelo Ministério Público e pelo juiz), com um assessor, o Fernando, policial rodoviário, e o Fernando fica com medo. Falei “deputado, não vou perder esse trabalho, haverá um prejuízo grande pra sociedade”, “qual a saída?”, “precisa arrumar outro”, “quem?”, “o senhor”, “eu?”,”sim, você não foi do Partido Comunista? Não foi exilado na Rússia? Tem todos os requisitos pra uma operação de infiltração”, “eu topo”.  Firmeza. Falei “o Law não confia em ninguém, chega um momento que tem que estar presente com o dono do negócio, e o senhor é o dono”.

MYLTON SEVERIANO – O Medeiros não ficou nervoso?

Ele foi muito frio. Corajoso. É produzido um encontro em Araraquara. E o deputado, embora nervoso, sai muito bem. O chinês é um iceberg. Entrou, logo tira o paletó, o que sugestiona “não tenho gravador,  nada”.  O deputado, “não vou tirar meu paletó, ou confia ou pode ir embora”. E cheio de equipamento por baixo.  

Me ofereceram 5 milhões, e viram que não tinha chance, aí fizeram um plano para me executar.”

MYLTON SEVERIANO – É uma casa térrea…

Um hotel. Esse vídeo é fantástico. Um diálogo sugestionado por nós. O Law marca pra entregar o valor num ninho nosso, São Paulo. Você pensa “vai marcar um local de confiança e depois mudar”. É um misto de probabilidades, oportunidades, sorte. Ele indicou o shopping Center Norte, seria uma carnificina a prisão dele, poderia ter reação. Os guarda-costas dele eram policiais militares, falei “o lugar provável que ele vai trocar, Medeiros, vai ser seu escritório”. O locai onde ele mais confiaria, “sou o corruptor, vou marcar na casa do corrupto, se for preso levo ele”. Chega no shopping, entrega o dinheiro para o intermediário, o telefone toca e o Medeiros ouve “não vai ser mais no shopping, vai ser no seu escritório”. Saímos batendo carro, chegamos minutos depois do intermediário chegar com o dinheiro. O Law já em fuga. Veio um grupo executar a prisão, uma parte do Rio, uma parte de Florianópolis. Ele é preso entre onze horas e meio-dia. Tava na garagem da rua 25 de Março pra pegar o carro.

MYLTON SEVERIANO – O encontro pra dar dinheiro pro deputado foi que hora?

Meio-dia. Nós tínhamos um informante em frente daquela loja de pedra dele, Brasil Stone, e ligou, “tá atrás da pilastra no estacionamento”, e chegam os nossos, seis, e ele tinha quinze seguranças, sacaram as armas, e ele pergunta “vocês são policiais de São Paulo?”, “não, diretoria de inteligência de Brasília”, logo percebi”. Engraçado, mas é triste, ele não aceitaria traição. A única condenação dele foi por corrupção.

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