CANAL LIVRE: LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS (TRANSCRIÇÃO NÃO LITERAL)

A TRANSCRIÇÃO NÃO É LITERAL. É SINTÉTICA.

PANNUNZIO: A participação da indústria no PIB caiu. Qual a relação com o tsunami

L.M.B.: O Governo tem procurado relacionar desindustrialização com o Real Forte (e isto está relacionado com a especulação). Mas precisa ter cuidado com esta relação. O problema é mais complexo. Muitas variáveis presentes. Tem que ver a questão da demanda por commodities pela China.

O Brasil sempre foi considerado pobre porque seus produtos agrícolas tinham um preço muito baixo. Mas esta relação mudou. A China influenciou isto, puxando o preço das commodities para cima e derrubando o preço dos produtos industrializados.

Isto explica a força da moeda, que ficou forte. E isto afetou a indústria. Quando a moeda ficou forte, as empresas e o comércio passa a importar com contratos longos, e isso causou uma transformação que colocou a indústria na situação de ter que produzir em outro patamar.

A energia elétrica para a Indústria no Brasil custa muito caro, bem como o gás. Um caminhão custa 3 vezes o que custa em outro país, e isso impacta no preço dos produtos. Os impostos é que causam estes problemas.

Mitre: E as medidas que o Governo tem tomado? são insuficientes?

L.C.M.B.: São insuficientes.

OINEGUE: E a carga tributária dentro do preço dos produtos. Isto forma um ciclo vicioso?

L.C.M.B.: Mas isto não pode causar pânico. O Governo não precisa entrar em pânico.  O consumidor brasileiro tem consciência desta diferença de preço.

Não é para entrar em pânico porque o problema é um BOM PROBLEMA. O CDS no Brasil é de 15 , o da França 280, o da Alemanha também está nas alturas. Isto é bom. O Brasil se tornou respeitado. Mas a indústria tem que ter condições de crescer e não tem.

MITRE: Indústria. Consumo. Redução de juros. O sr. acha que a inflação está sob controle?

L.C.M.B.: Inflação é doença crônica da economia de qualquer lugar. Aquela inflação antiga não vem mais, a causa era o vício antigo. Isto acabou. A inflação hoje tem a ver com a competição. A inflação este ano é 5,2%. Não podemos terminar o ano crescendo em 6%.

PANNUNZIO: Durante o Governo Lula. Com a redução dos juros

L.C.M.B.: O Brasil teve um entrada de ICMS foi alta. O mundo tá todo em crise. Só o mundo emergente é que a coisa está em outro patamar, e dentre estes o Brasil é o de maior credibilidade. A Rússia é de uma política criminosa. A Índia é cheio de problemas, inclusive religiosos. A China é muito complicada.

MITRE: E o tsunami de dolar?

L.C.M.B.: Não há isto. A liquidez de dólar provoca juros baixissimos. O Governo parece que não conhece as verdadeiras causas, e cria imagens – tsunamis, especuladores e outras coisas cambiais.

Qual o seu prognóstico?

L.C.M.B.: O Brasil avançou. Incorporou gente,  o que permite que haja investimentos. E o Governo toma uma decisão errada, em vez de enfrentar as causas, começa é a prejudicar. Exemplo, a agricultra brasileira sempre dependeu do Banco do Brasil, mas hoje ela está mais dinâmica, e agora têm acesso a outros investidores. E o Brasil, como pais organizado, portanto o agricultor pode negociar melhor. Mas o governo vai atrapalhar esta relação. Esta coisa aí do IOF vai atrapalhar.

O que o Governo tem que fazer é enfrentar esta questão dos custos.

MITRE:

L.C.M.B.: O Brasil precisa entender que tem que diminuir a arrecadação e reduzir gastos. Mas este governo está acostumado com as vacas gordas.

MITRE: A carga tributária no tempo de FHC era de 35%

L.C.M.B.: Não vou defender mas era diferente. O Governo agora tem é que diminuir a tributação.

MITRE: Mas na exportação a coisa não vai ser afetada…

L.C.M.B.: Isto até anima. Bem… o Brasil leva tempo, mas parece que vai reagir. A indústria também tem culpa.

MITRE: A reforma trabalhista é prometida desde sempre mas ninguém faz…

L.C.M.B.: A situação da indústria é crítica. Eu tenho três filhos, um deles é industrial. Tem 10 anos, mas tá fechando. Porque não tem preço.

INTERVALO….

OINEGUE: Parece que o Ministro Mantega tem controle sobre os parâmetros. O governo tem mesmo todo este controle?

L.C.M.B.: Não. O Governo não tem mais isto. O Governo não tem mais este controle. Hoje o grau de liberdade é muito maior. A própria moeda não é mais um patrimônio brasileiro, mas é mais que isto. Ela faz parte de um pacote. O momento agora é oposto. A economia americana começa a sair da crise. Então, aparentemente o Real se desvaloriza um pouco, mas não é  por ação do Governo. Mas por questões internacionais. Não é por ação do Governo.

MITRE:

L.C.M.B.: Hoje o Brasil tem um dinâmica interna, tem uma dinâmica que vem de fora, porque o país está cada vez mais internacionalizado.

PANNUNZIO: Em alguns segmentos o impacto é muito grande. O minério por exemplo. Como resolve isto?

L.C.M.B.: A questão do minério é uma questão de impostos. O rei está nu. O Brasil tinha uma série de aleijões que agora está aparecendo. Porque que o setor de serviço não acontece. Porque não é atingido diretamente pela concorrência exterior. Então podem cobrar caro. Mas também têm problemas com impostos, mas não reclamam porque têm saída, transferem para o consumidor

MITRE:

L.C.M.B.: No Brasil as coisas demoram, mas acontecem. O Meirelles, por inteligencia do Lula, teve independência. Isto foi fundamental. A imprensa também é importante.

MITRE: Um problema grave no Brasil é o deficit na previdência. Esta matéria agora votada no Congresso. A diferença entre setor público e privado. Se o governo aprovar este projeto, isto vai sanear?

L.C.M.B.: Esta medida é extraordinária. O problema é muito grande, e esta é a solução. Mas isto levou década pra se chegar neste ponto. 25 ou 26% de impostos sobre o PIB é o que devemos chegar. Mas no Brasil é de 35%.

MITRE: como é que vai reduzir a arrecadação… e a briga entre os níveis – municipal estadual e federal?

L.C.M.B.: Nós conseguimos arrumar coisas muito difíceis como a possibilidade de os estados mentirem na hora de declarar a arrecadaççao… então, acho que se consegue resolver outros problemas.

L.C.M.B.: Se a presidente Dilma terminar o primeiro mandato dela, com isto resolvido, eu serei o homem mais feliz do mundo.

INTERVALO…

L.C.M.B.: A UE é um projeto político de 60 anos. Eu sempre dizia este pessoal não vai jogar isto fora. Eles se entusiasmaram mas vão encontrar o caminho. Terão um período de 3 a 4 anos, mas vão se encontrar.

Nunca um governo teve uma base tão grande, mas eles estão brigando. E há a necessidade de reformas. como é que o senhor ver isto?

L.C.M.B.: O Governo precisa ter um diagnóstico correto para o processo econômico. Se isto ocorre, a presidente tem liderança. Ela conseguiu aprovar o estatuto do fundo de pensão do servidores públicos, e a liderança está intacta.

L.C.M.B.: É exigir demais compará-la com Lula. HOJE SOU O MAIOR FÃ DO LULA. Ele tem o mesmo tamanho que Fernando Henrique. Lula destruiu todas as utopias do PT, e permitiu que toda a revolução criada acontecesse. Agora coitada da Dilma, ela não tem a competência política de Lula. O que poucos têm.

Ainda tem um pessoal do Lula, lá. Eu tenho muito respeito pela presidente Dilma, por este fato da personalidade. Não tem o talento político do Lula, mas isto é muito difícil. Eu apoio os acertos dela. A coragem dela.

O Lula exagerou foi muito permissivo. Mas ele vai passar pra história pelo lado positivo. O Lula pegou o que melhor teve da economia brasileira, pegou dois milhoes de pessoas com crédito e levou para vinte milhoes.

Dilma vai passar para a história por baixar a bola do período Lula, de uma forma mais perene.

O SENHOR SEMPRE DEFENDEU A PRIVATIZAÇÃO. A presidente Dilma privatizou o aeroportos, e o PSDB criticou. O que aconteceu?

L.C.M.B.: O PSDB tinha que contratar um psicólogo, porque… O programa de privatização nasceu …

A TV AQUI DE CASA SAIU DO AR… NÃO PUDE CONTINUAR A TRANSCRIÇÃO…

VOLTOU…

L.C.M.B.: Em um país de escassos recursos financeiros, os fundos de pensão sempre foram importantes espaços para obtençao de valores…

L.C.M.B.: (DESPEDIDA) estou em uma missão quase impossível de fazer o Governo pensar sobre a questão da DESINDUSTRIALIZAÇÃO.

FIM.

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