Ciência aberta (do site da Ciência Hoje)

Publicado em 13/03/2012

Nova rede social para cientistas vem sendo usada como forma de burlar o tradicional sistema editorial de artigos científicos.

Ciência abertaNo ResearchGate, usuários disponibilizam suas publicações científicas para ‘download’ e trocam artigos fechados das mais variadas áreas. (imagem: reprodução)

A ciência tende a ser cada vez mais aberta e coletiva. Influenciadas pela internet, novas iniciativas de publicação e revisão por pares, como o Peerage of Science (tema dereportagem recente), o arXiv e a PLoS, confirmam essa tendência, que começa, aos poucos, a despontar também nas redes sociais.

O maior exemplo disso é o ResearchGate, espécie de Facebook para cientistas que já reúne quase um milhão e meio de pessoas pelo mundo, 40 mil só no Brasil, onde chegou no início deste ano.

O objetivo do site é criar perfis acadêmicos de pesquisadores e também servir de local de discussão. Lá, os usuários cadastrados podem apresentar ao mundo sua formação, área de interesse e disponibilizar suas publicações, além de participar de fóruns e comunidades de seu interesse.

No entanto, seguindo uma tendência de burlar o sistema estabelecido pelas editoras – em que autores esperam, revisores não recebem nada em troca e periódicos, muitas vezes, cobram por acesso e publicação –, membros da comunidade científica vêm usando o ResearchGate para compartilhar artigos fechados e pedir por revisões informais de artigos.

Cientistas vêm usando o ResearchGate para compartilhar artigos fechados e pedir por revisões informais de artigos

Como a maioria dos periódicos autoriza os cientistas a disponibilizar links para seus trabalhos em suas páginas pessoais, muitos usuários fazem isso no perfil do ResearchGate. Já são mais de 50 milhões de publicações disponíveis para download nosite.

“Vejo cada vez mais autores fazendo o uploadde seus artigos no site, permitindo acesso aos usuários que não querem pagar taxas elevadas às editoras para ler um artigo que lhes interessa”, diz Arnab Chakrabarty, engenheiro eletrônico do instituto de pesquisa da empresa de tecnologia americana MEMC e integrante de uma comunidade de discussão sobre ciência aberta no ResearchGate.

Perfil
No ResearchGate, cientistas têm páginas de perfil semelhantes às do Facebook. (imagem: reprodução)

Mesmo quando o próprio autor não sobe sua publicação, os usuários dão um jeito simples: saem na busca de algum usuário que tenha o artigo digitalizado. Durante a apuração deste post, a repórter que lhes escreve pôde confirmar esse movimento por conta própria, ao se deparar com quatro mensagens, de diferentes pessoas, em sua caixa de entrada na conta do ResearchGate, todas pedindo por diferentes títulos de artigos.

Espaço para jovens

No site, pesquisadores também buscam entender por que seus artigos foram recusados para publicação em periódicos com a ajuda de outros integrantes da rede. Muitos usuários argumentam que essa é uma maneira de contornar o anonimato dos revisores das publicações tradicionais, que é visto como um instrumento de poder, uma vez que um revisor pode apresentar qualquer argumento para aprovar ou não um artigo.

Com a ajuda de outros integrantes da rede, os usuários tentam entender por que seus artigos foram recusados para publicação

“No ResearchGate, jovens cientistas podem expressar sua visão e são encorajados a discutir os resultados negativos de suas pesquisas, o que é bem produtivo, pois seus artigos se tornam modelos para futuros estudantes”, explica a bióloga indiana e usuária do site Sunitha Seenappa.

Os usuários fazem questão de destacar o caráter coletivo e compartilhado da rede. “Considero o ResearchGate uma das experiências mais bem-sucedidas do uso da tecnologia da comunicação hoje”, diz o físico estadunidense Brian Flanagan.

“Tem sido dito que as coisas realmente acontecem no meio acadêmico fora das salas de aula e de conferências, nas conversas informais nos corredores.” E conclui: “Penso que lugares como o RG abrem uma espécie de corredor infinito que oferece memória interna, funções de pesquisa e contatos, elementos muito precisos para se fazer ciência”.

Sofia Moutinho

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