DENÚNCIA: Terrorismo patrociando pela prefeitura de São José dos Campos

http://www.viomundo.com.br/denuncias/defensor-jairo-salvador-%E2%80%9Cterrorismo-patrocinado-pela-prefeitura%E2%80%9D.html

26 de fevereiro de 2012 às 17:30

Defensor Jairo Salvador: “Terrorismo patrocinado pela Prefeitura”

No abrigo Vale do Sol, ex-moradores do Pinheirinho reuniram-se nesse sábado, 25, para conversar com o defensor público Jairo Salvador. Agentes provocadores impediram. Algumas das poucas fotos feitas pelo repórter fotográfico Lucas Lacaz Ruiz, que foi ameaçado e intimado a parar de trabalhar no local

por Conceição Lemes

22 de janeiro. Por ordem da juíza Márcia Loureiro, do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Eduardo Cury (ambos do PSDB), as cerca de 1.600 famílias (em torno de 9 mil pessoas) que moravam em Pinheirinho foram expulsas violentamente de suas casas.

26 de fevereiro. Dos quatro abrigos da Prefeitura de São José dos Campos para os ex-moradores do Pinheirinho, só resta o do Centro Comunitário Morumbi. Primeiro, fechou o CAIC Dom Pedro. Depois, o Ginásio Ubiratan. Ontem, sábado, 25, o Ginásio Vale do Sol.

“Na sexta-feira, fomos avisados de que teríamos de sair no sábado do Vale do Sol e ir para o Morumbi ou para o Albergue Municipal Monte Castelo. O pessoal está com tanto medo da polícia que teve família, com criança de colo, que foi para o Morumbi quase meia noite de sexta-feira”, conta-nos um ex-morador, pai de várias crianças. “Nós não éramos moradores de rua, nós tínhamos a nossa casa, que fui destruída com tudo dentro. Pedimos então para discutir o assunto na manhã desse sábado. A dona Quitéria [assistente social ligada à Prefeitura] concordou, mas foi da boca pra fora.”

“Ontem, logo cedo alguns homens ligados à Prefeitura começaram a aterrorizar as famílias, a nos agredir, um deles chegou a dizer que a minha cabeça estava a prêmio”, denuncia o ex-morador. “A polícia assistiu a tudo, rindo junto com funcionários da Prefeitura.”

“Nós tínhamos combinado conversar com o defensor público, que chegou lá cedinho, mas eles não deixaram, tamanha arruaça que  aprontaram. A polícia assistiu a tudo e não fez !”, indigna-se. ” Nem mesmo para garantir a segurança do defensor público! Acabamos todos expulsos do Morumbi; entre nós, tinha gente que já havia sido expulsa de dois abrigos.”

INTIMIDAÇÃO, A “SOLUÇÃO”  PARA RESOLVER O “PROBLEMA” DE MORADIA

Na verdade, diferentemente do que é divulgado pela Prefeitura de São José dos Campos,  o “esvaziamento” crescente dos abrigos não é porque esses ex-moradores do Pinheirinho estão alugando uma casa para morar.

“Além das péssimas condições dos abrigos, o clima de terror implantado neles pela Prefeitura foi tamanho que teve gente que preferiu ir morar até na rua”, revela a vereadora Amélia Naomi, do PT de São José dos Campos. “Policiais entram e saem dos abrigos, fazendo questão de exibir as suas armas. As crianças vivem assustadas, com medo.”

No caso do Vale do Sol, nem os pouquíssimos jornalistas que continuam acompanhando a situação foram poupados.

A jornalista Alessandra Jorge, de São José dos Campos, pensou que já tivesse visto todos os horrores do caso Pinheirinho. Mas ontem percebeu que o pesadelo pode ser ainda maior: “É uma política de terra arrasada, de extermínio, mesmo. Os jornalistas  já eram proibidos de conversar com os moradores desabrigados sem que  gente da Prefeitura acompanhasse. Agora, policiais e pessoas ligadas à Prefeitura estão fazendo pressão psicológica em cima das famílias, para que não contem o que está acontecendo nos abrigos, sob a ameaça de que a situação pra eles [ex-moradores do Pinheirinho] pode piorar”.

FOTÓGRAFO IMPEDIDO DE TRABALHAR; EQUIPAMENTO E  VIDA AMEAÇADAS

Lucas Lacaz Ruiz é repórter fotográfico free-lance, trabalha portanto como autônomo, e acompanha há um bom tempo o Pinheirinho e outros casos de desigualdade social.

Ontem, ele sabia que o doutor Jairo Salvador, defensor público do Estado de São Paulo, iria ao Ginásio Vale do Sol conversar com os desabrigados e passar alguns informes. Foi para lá então registrar o encontro e fazer uma reportagem sobre as condições de vida dentro do abrigo. Era o único repórter fotográfico. Acabou impedido de trabalhar e ameaçado:

– Quase não fotografei. Logo, de cara, um homem muito exaltado, gritando, falou que não deveríamos filmar nem fazer fotos dentro do Ginásio Vale do Sol. Eu obedeci, mas permaneci no local.

– A tensão, que já era grande dentro do Vale do Sol, aumentou.  Mais dois homens começaram a intimidar todas as pessoas, dizendo a PM iria ao local expulsar todos com balas de borracha, spray pimenta,  gás lacrimogêneo… Foi quando uma colega que segurava um bebê no colo pediu para que eu a fotografasse. Novamente, fui intimado a sair do local, senão o meu equipamento seria danificado e a minha integridade física ameaçada.

– Estava me encaminhando à portaria do ginásio, quando perguntei a um guarda CGM (policial da Guarda Civil Metropolitana) se ele não faria nada para impedir a ação daqueles homens que estavam atemorizando todas as pessoas. Ele simplesmente me disse que estava ali para manter a ordem e a segurança das pessoas. Eu questionei: “Estou  sendo ameaçado e o senhor não vai ou não pode fazer nada?”  O GCM, novamente, me respondeu: “É melhor o senhor obedecer, pois são eles que mandam aqui!”

– Mais uma vez fui cercado e intimado com gritos e ameaças ao meu equipamento e à minha vida. Eles não estavam brincando, falavam sério.

– Já quase na parte externa do abrigo, onde o doutor Jairo Salvador faria uma explanação sobre os direitos dos desabrigados,  chegou, de novo, um grupo de três ou quatro homens, gritando que todos deveriam sair dali e ir para o Morumbi. Soube depois que a vereadora Amélia e o doutor Jairo Salvador também foram expulsos. O doutor Jairo nem conseguiu falar.

“Ontem, chegaram ao absurdo de ameaçar voluntários, que são justamente as pessoas que estão levando ajuda humanitária aos desabrigados”, volta à carga a vereadora Amélia Naomi. “O pior que tudo isso foi articulado com a Prefeitura. O negócio era esvaziar o abrigo, nem que as famílias ficassem ao deus-dará.”

“O que aconteceu foi banditismo, mesmo. Além de ameaçar e agredir ex-moradores do Pinheirinho, agentes provocadores impediram que a Defensoria Pública prestasse atendimento às famílias”, acusa  Jairo Salvador. “Lamentavelmente, terrorismo patrocinado pela própria Prefeitura de São José dos Campos.

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