Comentário meu sobre a defesa de PHA no caso Heraldo Pereira

Não me furtarei de comentar, apesar da dificuldade que se nota aqui, e em outros blogprogs, de seus comentaristas aceitarem que podem errar. Reconhecer um erro é realmente difícil mas necessário.

Paulo Henrique Amorim errou neste caso. Não que não reconheçamos todos a sua luta pelos direitos humanos, inclusive empunhando bandeiras contra qualquer tipo de preconceito. Portanto, PHA não é racista. Mas, errou. O uso da expressão, na minha opinião, foi fruto de algumas características daquele jornalista: sua irreverência, sua ansiedade, certa dose de arrogância. A frase foi deletéria. Na minha opinião, mesmo racista. Mas uma frase racista não torna o fraseador racista.

No entanto, PHA deveria reconhecer o erro (como em parte teve que admitir, embora pareça ainda não reconhecer) e saná-lo. A humildade aqui seria importante. PHA disse que o colega não conseguiu demonstrar nenhum atributo para seu sucesso, apenas o de “ser negro e ter origem humilde” ainda chamando-o de “negro de alma branca”. Esta última referência basicamente, se não em um sentido racista, mas depreciador – capitão do mato?.

Em vários textos, discussões, vemos por exemplo defesas de não se ser racista por se ter uma namorada ou namorado negro (ou de já se ter tido), e todos já somos capazes de entender a falácia por trás deste argumento. Há falácia também no argumento de que não se pode dizer uma frase racista se não somos racista. Evidentemente que se pode cometer esta falha mesmo não sendo racista. E isto foi o que fez PHA.

Outro aspecto recorrente em PHA e entre os de esquerda, é que simplesmente atacamos todos os que trabalham para a platinada. A platinada tem um perfil racista? na minha opinião sim. Mas daí acusar as pessoas negras que nela trabalham de “negros de alma branca” é de uma falta de sensibilidade imensa. Se cada um de nós fóssemos trabalhar apenas em empresas que primam por respeito a dignidade humana, então o mundo iria parar, pois são poucas (eu ainda não conheço uma sequer com este nível de primor).

Além do mais, PHA continua errando (se não me engano!) pois o termo de conciliação previa na cláusula terceira que, além de retirar as reportagens do Blog, PHA deveria publicar a retratação no Blog por um período de dez dias, como o mesmo destaque, e não me parece que uma postagem intitulada: Heraldo diz que PHA não é racista, cumpra esta cláusula. Assim, minha opinião é a de que PHA continua errando. E por vaidade e arrogância. Ele que gosta de utiizar expressões como “este humilde repórter”!

Quanto ao texto de defesa, pode até parecer bonito, mas apenas vejo um desfilar de falácias. São verdades, mas continuam sendo falácias de tipos diversos. Removidas as falácias, não sobra uma argumentação sequer relevante ao caso. O pedido de desculpas e a assunção de culpa (mesmo que não fosse a de ser racista, pois não o é), mas assunção da culpa do destempero seria o suficiente. Mas a carência de humildade não lho permitiu.

Enfim, fica aqui a indicação da leitura do texto de Rosângela Malachias que postei no blog PIG (que não é PIG e se pretende blogprog) e de meu texto (agora editado) do dia 23 de fevereiro:

https://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/2012/02/24/e-amorim-voce-e-sua-defesa-escorregaram-ou-puxa-que-pena-eles-tem-alma-branca-rosangela-malachias/

https://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/2012/02/23/paulo-henrique-amorim-condenado-por-racismo/

E também da postagem disponível em MARIA FRÔ (e já transcrito acima em um dos comentários):

http://mariafro.com/2012/02/24/sueli-carneiro-comenta-negro-de-alma-branca/

.

Reconheçamos os nossos erros, antes mesmo de apontar os dos outros.

http://www.blogcidadania.com.br/2012/02/paulo-henrique-amorim-de-reu-a-vitima/

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3 Respostas para “Comentário meu sobre a defesa de PHA no caso Heraldo Pereira

  1. Obrigada por esse posicionamento. Cheguei ao seu texto através da defesa do Elias Cândido e, sinceramente, acredito que sua argumentacao é mais coerente do que a dele. PHA está errando por arrogância, mesmo nao sendo racista. Somos de um país racista, onde expressoes como esta e outras como “dia de branco”, “servico de preto”, “cabelo ruim”, entre outras, sao utilizadas. Isso infelizmente é parte de uma memória linguística, muita gente “solta” isso mesmo sem ser racista, como provavelmente foi o caso do PHA. O fato dele nao trabalhar na “Grobo”, nao o coloca em um patamar melhor do que o HP. Seria no mínimo ingênuo criticar a Rede “Grobo” trabalhando na Record dos baroes da Universal… Sinceramente, na minha opiniao, nenhuma das duas emissoras merece respeito do telespectador… merecem boicote, isso sim.

    P.S. Aos que quiserem debater meu comentário, bem vindos. Sou negra, filha da miscigenacao, de pai negro e mae branca, conheco a discriminacao no Brasil de perto. Mas justamente pela minha origem multirracial, nao consigo ser assim partidária de uma única “etnia” (termo que vejo com reservas). Seria eu uma negra de alma branca por nao negar minha mae? Esse tipo de rotulacao é muito complicada no Brasil…

    Abracos!

    (Desculpe-me pela falta de acentos e cedilhas, estou escrevendo de um teclado nao-brasileiro.)

    Marina.

  2. “Não me furtarei de comentar”, e na verdade não comentou, mas sim JULGOU novamente PHA, e com uma severidade muito maior que a própria justiça. Aliás uma severidade que descamba para o despeito de forma indisfarçável. A idéia de que “negro de alma branca” é uma frase racista é que é recheada de preconceito. A prova disto é que a frase é, na maioria das vezes, utilizada pelos negros. Seria lógico supor que é uma frase de racismo contra brancos. Falácia é dizer que PHA “não é racista mas foi racista por um momento”. Ao afirmar categoricamente que PHA não é racista, o comentarista não só anula qualquer valor de seu “julgamento” como o coloca sob forte suspeição.

  3. Antonio Passos, tem razão. Julguei. E daí? afinal, o que são comentários se não a expressão de nossos juízos, e portanto nosso julgamento. Mas, qual o problema exatamente em fazer isto.
    E, novamente, concordo com mais rigor que a justiça, que não chegou a julgar o caso, pois ficou no campo da conciliação, e assim sem julgamento. Portanto, o meu julgamento só poderia ser mais rigoroso. Mas, qual o valor de meu julgamento?
    O fato de a frase ser utilizada por negros não a torna “não racista”, portanto, esta argumentação sua é uma falácia. (Caso não saiba em que consiste falácia, existem bons textos explicativos na internet).
    Se há falácia em “Mas uma frase racista não torna o fraseador racista.” aponte o tipo (classificação) da frase. Eu não sei em qual tipo de falácia ela se enquadra. Explique-me.
    Você não explica porque afirmar que PHA não é racista (na minha opinião) anula meu julgamento e me coloca sob suspeição. Assim, sem argumentação, eu não entendo exatamente o quê quis dizer.

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