Nassif explica a Brito Cruz: “Não são os concluintes, são os ingressantes!”

Brito Cruz analisou Educação de Lula com números de FHC

Enviado por luisnassif, qui, 23/02/2012 – 10:33

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Tenho muita consideração pelo Brito Cruz, notável físico, diretor científico da Fapesp e pessoa que ajudou a definir os papéis dos agentes do sistema de tecnologia e de inovação no país no final dos anos 90.

Mas seu artigo no Tendências e Debate da Folha de hoje – “A parada no crescimento do ensino superior” –  padece de um engano lógico. Ele analisa o governo Lula com números do governo FHC. Inverteu a análise.

Confira o seguinte parágrafo (que sintetiza todo o artigo dele) e descubra qual o erro que ele cometeu:

 “Com o fim do crescimento no sistema público, a privatização do ensino superior após 2003 avançou como nunca antes. Em 1995, 37% dos concluintes no ensino superior completaram seus estudos em instituições públicas. Em 2003, foram 32%; e em 2010, o percentual despencou para apenas 22%”.

Um estudante universitário leva, em média, 6 anos para se formar. Portanto, os formandos de 2010 entraram na universidade (em média) em 2004. Se quiser analisar números de governo, a medida correta são os ingressantes e não os concluintes. Os concluintes refletem o que ocorria até 6 anos antes.

A partir dessa inversão, releia o artigo de Britto:

“Nesses seis anos, a queda no número de concluintes foi de 1,8% ao ano. O freio é generalizado e atinge menos intensamente as instituições privadas. Nestas, o crescimento desde 2005 tem sido de 4,5% ao ano, contra uma taxa três vezes mais alta, de 13% ao ano, entre 1995 e 2005”.

A leitura correta é: no período de 6 anos antes (isto é, de 1995 a 2005) a oferta de vagas nas universidades federais foi de apenas 4,5% ao ano, contra um aumento de oferta de 13% ao ano entre 1989 e 1998. Qual a razão? A política de Paulo Renato de Souza, de privilegiar o ensino universitário privado em detrimento do ensino público.

2005 aparece várias vezes porque é o ano em que foi lançado o Plano de Expansão do Ensino Universitário. Os dois anos anteriores haviam sido tomados pelo orçamento de crise, em função da crise fiscal de 2003 e 2004.

Se for analisar o ensino superior sob o prisma dos ingressantes, o número de vagas saltou de 148 mil em 2002 para 302 mil em 2010, permitindo a Lula cumprir a promessa acertada com a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições de Ensino Superior) de dobrar o número de vagas até o final do segundo mandato.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/brito-cruz-analisou-educacao-de-lula-com-numeros-de-fhc

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