Transmissão ao vivo de São Jose dos Campos

O Governador do Estado criou dois decretos. Nós somos contra. O CONDEP tem uma preocupação constante em resgatar sua criação. Nosso pais foi vítima de uma ditadura militar por 21 anos. Na redemocratização reconquistamos o direito a Defensoria Pública, as Ouvidorias e criou os CONDEPS nos Estados, este tem como tarefa FAZER A DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS.

BASEADOS nisto, quando vimos a agresssão contra Pinheirinho, nós nos deslocamos pra cá. Somos 90 pessoas que viemos de São Paulo e estamos verificando os locais de segregação que eles chamam de abrigo. Mas nós constatamos não uma desocupação, mas uma invasão da policia militar. Constatamos nos 4 locais que a população foi agredida e espancada, e até baleada. Assim, até uma tentativa de homicídio. Foi baleado pelas costas por um guarda-civil, que ainda atirou uma segunda vez que acertou o asfalto. Assim, a intenção era de matar. Não conseguimos constatar a ocorrência de mortes. Mas a população está com muito medo. Nós garantimos a resposta ao questionário. E garantimos também o acesso a exame de corpo de delito. Nós vamos entregar daqui a pouco uma cópia de ofício para o delegado de polícia e outra para o Defensor que está aqui conosco, para que se faça uma operação para atender a este grupo que sofreu agressão e que possam mostrar as marcas da agressão

Para nós o que houve aqui foi inadmissível e não vamos descansar enquanto não houver a apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.

Nós não viemos hoje aqui para falar, mas para ouvir. Tudo que fizemos hoje vai ser transformado em relatório e vamos entregar no Palácio dos Bandeirantes para que o Sr. Geraldo Alckmin saiba o que ocorreu. Vamos enviar para órgãos internacionais. Vamos enviar para Câmara Legislativa. Vamos compor uma mesa, mas estamos aqui para ouvir.

O relator da nossa visita será o nosso companheiro Renato Simões (CONDEP). Ele vai fazer a compilação de tudo que foi apurado. O relatório nós todos assinaremos e exigeremos processo e apuração e punição.

RENATO SIMÕES

Eu queria prestar contas com vocês e agradecer a presença de todos. O trabalho teve uma adesão imensa. Com certeza todas as entidades terão oportunidade de falar. Hoje, no entanto, a fala das vítimas serão priorizadas aqui. É hora de ouvirmos quem ainda não disse nada porque foram caladas pelas forças de opressão. Mas nós colhemos

507 vítimas foram ouvidas hoje. 164 no Caic Dom Pedro, 181 no ginásio Murumbi no Vale do Sol.

Não foram ouvidas as pessoas que estavam trabalhando no horário de nossa ação, nem quem estava em casas de familiares.

O relatos irão correr o mundo, serão distribuídos para órgãos em todo o mundo.

24 pessoas se ofereceram para realizar exame de corpo e delito. Eles ainda carregam oito dias depois as marcas da violência.

Lamentamos não poder escutar todo mundo, mas iremos dar a voz para casos emblemáticos.

Nós gostaríamos de agradecer conselhos nacionais que trabalharam conosco hoje.

CDDPH – Conselho Nacional dos Direitos Humanos.

CONANDA – Conselho Nacional da Criança e do Adolescente

Ouvidor Nacional dos Direitos Humanos (que vai falar como vítima)

Secretário executivo do CONDEP está aqui.

Sheila Olália que está aqui no plenário.

Rildo Marques está consolidando os dados neste momento em um gabinete.

Vicente Roigue, vice presidente do CONDEP, tome lugar aqui na mesa.

Ministério Público Estadual (Eduardo Dias).

Angelo Augusto Costa (ministério Público Federal)

Jairo Salvador (Defensoria Pública) MUITO APLAUDIDO. Doutor Jairo vai ser advogado de todos vocês aqui.

Além destas pessoas, nós queríamos convidar para compor a mesa os parlamentares aqui presentes:

Deputado Federal Carlos Genianazi; Deputado Marcos Aurélio; Deputado Estadual Enio Tato; Deputado Estadual Padre Afonso Lobato; Deputado Simão Pedro; Deputado Federal Carlinhos Almeida.

Convidar também o Senador Eduardo Suplicy. Eduardo Suplicy também falará como testemunha.

Presidente da camara de vereadores –

Vereador Marino, Vereador Aldelindo (de Jacareí)

Convidar também seis vereadores de São José dos Campos – Amélia Naomi, Angela Guadaim, Cristiano Pinto Ferreira, Jairo Santos (vaiado), Tonhão Dutra (aplaudido), Vagner Baleeiro.

Para compor a mesa

Secretario Nacional Paulo Maltos. Representa o ministro Gilberto Carvalho.

Convidar o companheiro Marrom, representando a comunidade (muito aplaudido)

E representando o corpo jurídico – Toninho (também advogado) (aplaudido)

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Vamos iniciar os trabalhos.

O padre Ronildo está doente. Não pode compor a mesa. Mas prestamos uma homenagem.

O padre Ronildo dará depoimento na condição de vítima.

Vamos iniciar com uma breve gravação realizada no hospital com o David Washigton que foi baleado e está  hospitalizado. Deu um depoimento curto que agora será formalizado pela Defensoria Pública e pelo Delegado. Vamos ouvir a palavra do David e em seguida a primeira vítima Maria Laura (esposa de David). Não temos o vídeo, apenas o áudio.

AUDIO. HOSPITAL

David. Cita o RG. Natural de Pernambuco. Mora há mais de 10 anos em S.J.C.

Tava dormindo e 5:00 da manha começaram os fogos. Minha esposa me disse que era o choque. Eles não fizeram cordão que costumam fazer. Eu sai às 5:30 e fui a casa de meu irmão. Quando voltei pra fazer o cadastro fui alvejado por uma bala. Fui fazer o cadastro porque minha casa foi totalmente destruída. Levei a bala quando sai do União e passei para o campo dos alemães. Tava eu minha esposa meu amigo e sua esposa. Aconteceu perto de uma padaria no campo dos alemães. O choque tava subindo e alguns meninos estavam reagindo. Eles deram tiro de verdade. Mais ou menos na rua sete. Eram guardas municipais. Eram uns quinze. Farda azul. Com arma em punho. Nervosos. Despreparados. E deu no que deu. Eu tava só passando. Minha esposa queria volta pra casa. Mas ninguém passava. Nem reportagem. O guarda que me atingiu é um senhor que usa óculos e tava mais nervoso. Ele tava de boné azul. Eu consigo reconhecer. Vi a hora que ele tirou a arma. Vi a hora que minha esposa começou a correr. E aí fui atingido. Fui atingido na região lombar. Cai de frente pra praça e fui me arrastando com medo de ele dar outro tiro. Outro colega viu, e me pegou pelos braços e saiu comigo correndo. É até uma imagem das emissoras aí. Não sei qual é. Ele se aproximou pra dá outro tiro. Não só ele, mas outros também para atirar na população. Deu pra ouvir o segundo tiro pegando no asfalto.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Vamos abrir a palavra para Maria Laura. Venha até aqui por favor. A esposa do David.

Pode subir ali. Naquele microfone.

Nós vamos ouvir as pessoas por ordem. Conte dona Maria Laura.

MARIA LAURA:

Boa noite, aos meus colegas do acampamento. E foi tudo aquilo que meu marido falou e mais um pouco. Quem tava lá consegue decifrar o que sentia na pele. Fomos acordado pela manha por uma vizinha. Descobrimos que o acampamento estava cercado. Nossa preocupação era proteger nosso bebê de 10 meses. Corremos tanto do perigo, mas acabamos chegando ao seu lado. Minha intensão depois era voltar a minha casa para tentar resgatar alguma coisa. Não consegui fazer isto por conta do que aconteceu. Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo. Era helicóptero jogando bomba. Eu não conhecia bala de verdade. Mas meu marido me falou pra eu ficar perto do muro. Mas eu perdi meu marido da vista. Quando consegui ver ele. Ele já estava no chão se arrastando. E os colegas tentavam ajudá-lo mas estavam com medo de ser baleado. Um colega corajoso, não teve medo das balas, e foi até meu marido. Varios disparando balas de verdade contra a população. Eu não consegui voltar a minha casa. Só consegui voltar na quarta feira, quando consegui um caminhão particular. Mas não tinha mais nada na minha casa. De lá pra cá muita tristeza. Até agora sem serviço social. Só isso.

MUITO OBRIGADO, Maria Laura.

Estes depoimentos estão sendo transmitidos ao vivo.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Mais membros são anunciados para a composição da mesa.

Bom. Nós adotamos como critério ouvir os casos emblemáticos. Vamos ouvir o depoimento da Senhora Dulcinéia Faustino que vai relatar o que aconteceu na sua casa na madrugada e durante o dia.

DONA DULCINÉIA FAUSTINO

Boa noite. Quando nós acordamos eu vi helicóptero meu irmão disse entra pra dentro que as bombas já caiu aqui no quintal. Quando fomos pra cozinha. O choque apareceu e foi jogando bomba. Eu vi sangue… sangue… sangue. Minha mãe gritou Vai pro PRONTO-SOCORRO você não tá vendo que a mulher está sangrando. Andei dois quilômetros pra chegar na UPA e o policial mandou eu ainda dá a volta. Eu voltei mas não deixaram eu entrar. Cortaram os telefones. Jogaram bomba na gente. Eu entrei numa casa lá que eu nem sabia de quem era. Eu não pudia entrar na área. Mas eu falei com o capitão que deixou eu entrar. Mas não consegui tirar quase nada. Obrigada.

Vamos convidar a Senhora Daniela da Silva Napoleão (moradora do Pinheirinho)

DANIELA NAPOLEÃO

Boa noite pra todos. Eu gostaria de dizer que aquele dia foi muito triste. Naquela noite eu não estava lá. Mas tive notícia cedo da invasão. Eu estava na beira da rua quando a tropa de choque estava atirando e eu fui acertada. A população me acudiu. Fui levada pra UPA. Não tive assistência de polícia nenhuma. Eu creio que eles miraram na minha cara, porque vocês podem ver as marcas agora.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Vamos convidar o morador SILVIO PRADO (Morador)

SILVIO PRADO

- Boa noite. É necessário um esclarecimento eu não sou morador. Sou de Taubaté. Mas eu vim porque não dava pra ouvir pelo rádio. Então nós vimos e chegamos por volta de 5 ou 6 hors da tarde. E o que vi não dava pra acreditar. Eu tinha a ideia de que a polícia militar era dá segurança. Não tinha sentido nenhum o que ocorreu. As pessoas que estavam reunida, passava a polícia e jogava bomba de gás e bala de borracha. Parecia que queriam fazer uma espécie de toque de recolher, para esconder alguma coisa grave. No outro dia, me parece que os policiais se cansaram de jogar bomba, porque as pessoas entravam nas casas, mas saiam. Então, uma viatura passou queimando pneu de forma violenta. Eu não moro lá, mas entrei em uma de uma senhora. Um policial desceu da viatura com pistola em punho e chutava o portão. E falava SAIAM QUE EU VOU MATAR TODO MUNDO. Tinham 15 pessoas dentro da casa, inclusive 6 crianças que foram escondidas dentro de um armário. Se o portão estivesse aberto ele teria entrado. Me parece que aquele policial não tinha mais condição física e mental de está ali. A população foi tratada como criminosos, marginais. Eu pedi que o dono da casa viesse aqui depor, mas ele ficou com medo. Por isso denuncio eu.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Vamos chamar PAULO MALDOS Para falar como vítima e testemunha. (da presidência da república)

PAULO MAUDOS

Boa noite. Eu queria esclarecer que a minha presença naquela manha se deu devido a um acordo da presidência da república porque entendemos que haveria um tempo de 15 dias de estudar uma solução. Como havia este tempo, a partir daquele final de semana iríamos trabalhar já a partir daquele momento. Trabalhavamos junto ao Prefeito, ao governador. Eu fiquei incubido de falar com a comunidade. Procurar as alternativas. Construir casas. Procurar terrenos. Solucionar. Eu vim numa missão de escuta. Tinha marcado nove da manha ainda por celular soube que havia um cerco na comunidade. Não quis acreditar por conta do pacto. Eu não entendi como poderia estar cercado militarmente aquela comunidade. Eu cheguei e me deparei com uma situação bastante crítica. Um cerco militar com escudos escrito CHOQUE. Eu quis acessar o comando. Me dirigi até o grupo de soldados, quando cheguei até uns oito metros. E fui advertido que parasse e vi armas em minha direçã. Dei a volta e fiquei a uns vinte metros de distâncias. E conversando com a população, de repente sem mais nem menos, eu senti um ferimento, eu recebi uma bala na perna esquerda. Procurei me esconder. Esta tropa veio atacando a população. Eu fiquei por nove horas no bairro. Sofremos ondas de ataque. Haviam cercado o Pinheirinho. Pude perceber ataques cada vez mais prolongados. Jogando bombas. Notícias de senhoras sendo espancadas. Por volta de onze da manha, tentei acessar o comando da operação. Voltei fiquei falando com os jornalistas. Fomos chamados por um grupo de oficiais. Eu tentei ir junto, mas fui barrado. Apresentei meu cartão da Presidência da República. Com Brasão. Secretaria Nacional. Ele leu e falou que eu não entrava. Ele falou você : VOCÊ VOLTA E MANDA SUA PRESIDENTA FALAR COMIGO (murmurros).

Foi um militar. Um oficial que tava de azul claro. Acho que era responsável por comunicação.

Gostaria ainda de reforçar o depoimento do David sobre a agressividade. Tentei também a GUARDA CIVIL para tentar acessar o comando da operação. A mesma coisa. Volta volta e apontaram armas. Eu queria dizer o seguinte eu percebi que a PM disse que estava com armas não letais, mas a policia federal considera armas menos letais. E a policias da guarda civil estavam com armas letais. Pela minha percepção, eles estavam orientados a não realizar nenhum contato, não podiam estabelecer contato com ninguém. Eram pra atacar. Atitude de tratar todos como inimigos. Inimigos a serem dominados, ou elminados fisicamente.

E tratou-se de um ataque com estratégia. Dois helico´teros claramente realizando surtos de ataques orientados de cima dos helicópteros. Foi uma operação militar de cerco e de aniquilamento. Tratou-se de um ataque compacto. A presença de parlamentares, religiosos e imprensa deve ter evitado o aniquilamento. Foi muito pior do que conhecemos até agora.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

PSIQUIATRA Que acompanhou crianças e adolescente estes dias.

Nós não sabemos como que estes sentimentos estas vivência vão impactar na sua estrutura psíquica. Como vai impactar no seu comportamento como cidadão. Como vai interpretar a sociedade.

Eu tive a oportunidade de conversar com um pequenino. Este pequenino estava triste. Perguntado porque estava triste. Ele viu a pouca distancia a policia alvejar o seu animal.

Um jovem também era aprendiz de adestrador de animais. Ele esta agora em um barraquinho com alguns aniamis. E este jovem tinha um animal favorito que fazia de tudo. Mas ele viu seu animal ser alvejado pela polícia. É preciso que tenhamos uma visão completa do que está acontecimento. Foi uma violação dos direitos da criança e do adolescente. Algumas destas crianças poderão ter sequelas, distúrbios psicológicos devido ao que presenciaram.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Queremos agradecer aos sites que estão transmitindo ao vivo.

DANOS MATERIAIS DECORRIDOS DO PROCESSO.

Chamar a Senhora Célia Regina Félix

CELIA REGINA

Boa noite. Sou moradora do Pinheirinho. E seis horas da manha fui ao Pinheirinho. Fui buscar documentos. Um policial sacou a arma. E eu falei somente o se o senhor

Eu não estou conseguindo dormir . Fico a noite todinha pegando meus filhos do chão porque é muito frio.

Esta informação é nova . Nós pedimos que isto seja checado para acrescentar.

………….

Vamos chamar aqui a liderança em Pinheirinho. Nós discutimos com a polícia esta questão da criminalização da lideração, da comunidade.

MARROM

- Eu  recebi uma ligação afirmando que a tropa de choque estava vindo pra cpa. Eu não acreditei. Deposi eu recebi informação de São Paulo que a tropa de choque estava vindo pra Ca. Fui à casa de dois moradores. Peguei o carro e dei uma volta. Não vi nada e voltei pra casa. Mas novamente tive informação às duas hors da manha. Ligamos para nossos parceiros e disse vocês estão ficando maluco. Um rapaz que trabalha pra VANGUARDA me ligou dizendo que estva com a tropa de choque. Então eu voltei pra Pinheirinho por volta das quatro horas. Ai vi a guarda municipal. Ai acordei as lideranças. Iriamos realizar uma resistência. Ai soubemos da ordem que era pra prender o MARROM. Eu estava dentro do acampamento. Cortaram os celulares. Ficamos meia hora sem celular. Consegui falar com o Toninho às 5:30. As 5:50 é desocupação. O comandante disse que era um pente fino, mas entrou cavalaria, tropas de choque. Entravam 200 soldados em cada tropa. Veio a guarda municipal. Dois helicópteros que atiraravam inclusive com bala de verdade. A coordenação levou o pessoal pra igreja. Levamos crianças e idosos. A tropa de choque foi a igreja e jogou crianças e idosos da igreja. O movimento me tirou da ação. Me isolaram. Eu estou há muito tempo, mas eu nunca tinha visto isto. Foi um estrupo. Eu vi policial da cavalaria chorar porque não queria fazer. Jogavam bomba em criança.  O Ivo apanhou muito da tropa de choque e nós não conseguimos chegar até ele. Ele apanhou muito. Conseguimos pegar ele e o amarramos. Mas ele sumiu e eu não sei aonde está ele até agora. A tropa entrou bantendo. Muita pancadaria. Tem muita pessoa que apanhou muito. Eles não vieram dar o depoiemnte.  A tropa dividiu foi para o campo dos alemãos. Parecia um campo de guerra. Eu me senti um pequeno pais sendo atacado. As pessoas não acreditavam perguntavam o que tinha acontecido. E o acordo? E o acordo? Eu respondi esquece o acordo. O acordo agora é ficar vivo.

Nós da coordenação orientamos as pessoas ir até o campo dos alemãos. A guarda não queria. Quando as pessoas se acumulavam no campo, os guardas jogavam bomba. Eu vi uma criança ser atingida e sair ensanguetada. E nunca mais vi esta família.

Aí eu posso dizer pra vocês eu troquei boné, camiseta, mil vezes. Coloquei até peruca. Uma hora eles me pegaram. E uma pessoa gritou é o Marrom. Eles me puseram no carro e ficou comigo uns 15 minuto. Mas me liberaram. Eu liguei pro Toninho. Foi uma coisa bastante ruim. Depois as polícias começaram a derrubar as casas, com tudo dentro. As policias roubavam as coisas e levavam embora. Derrubara a igreja católica. Começaram a cantar e agora o Pinheirinho é nosso. Pra nós eles falavam  – aeh seu vagabundo. Muita humilhação.

No dia seguinte, as pessoas tentando pegar as coisas de dentro das casas. A policia derrubou uns 65% das casas. No dia seguinte já veio a policia civil veio de ninja. Hoje o acampamento tá cercada com segurança particular, mas quem tá fazendo a rapina é a policia civil.

Um dos moradores pegou o Luizinho. Vocês têm que pegar o Marrom levar pra praça pública, matem que nós vamos picotar e dar fim. A coordenação está correndo risco porque está com esta ordem.

O prefeito pediu que uma repórter do Vale fizesse uma matéria criminalizando o movimento. Pra facilitar pra ele. O que eu vi foi um ESTUPRO SOCIAL. O que restam são crianças passando imensa necessacidade. Psicologicamente a s crianças estão arrazadas. Eu tenho certeza que vocês não vão ter que arranjar só casa não. Vão ter que arranjar psicólogos. Eles não vieram só pra fazer desocupação, mas pra matar a população.

Outra coisa é que temos que garantir a entrada de companheiros aqui no abrigo. Quem tá com pulseira a polícia bate na rua.

About these ads

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s